Primeira Página
Sábado, 17 de Novembro de 2012, 13h:25
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PLEITOS
Parlamentares buscam modificações
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
As eleições municipais deste ano, especialmente em Cuiabá, inspiraram alguns representantes de Mato Grosso no Congresso Nacional. Os deputados federais Valtenir Pereira (PSB) e Carlos Bezerra (PMDB), bem como o senador Pedro Taques (PDT), defendem projetos que preveem modificações no pleito para a escolha de prefeito e vereador. O parlamentar socialista, por exemplo, em consonância com outros correligionários, quer proibir a divulgação de pesquisas de intenção de voto a um mês da eleição. De acordo com ele, as análises publicadas próximo ao dia da votação influenciam o eleitor. A atitude de Valtenir em apoiar a medida, entretanto, é em decorrência ao episódio que ocorreu na reta final do primeiro turno na Capital. Às vésperas do pleito, um enxame de pesquisas, de diversos institutos, começou a apontar uma queda considerável do candidato do seu partido, o empresário Mauro Mendes (PSB). Muitos até davam vitória para o vereador Lúdio Cabral (PT) ainda no primeiro turno. O que estamos vendo é um processo de ilusão do eleitor através de pesquisas. Isso está claro! Há uma verdadeira guerra de pesquisas e temos que tomar providências urgentes porque estão manipulando a convicção do eleitor através de resultados fraudados. O tema, inclusive, pode resultar na instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Federal. O requerimento continha 225 assinaturas e foi entregue à secretaria geral da mesa diretora da Casa. Já o seu colega, deputado Carlos Bezerra, quer o fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais. De acordo com ele, as legendas poderiam se fortalecer ainda mais disputando a eleição sozinha. A união momentânea de partidos políticos, realizada apenas com objetivos eleitorais imediatos, contraria o próprio espírito do sistema proporcional. Para o peemedebista, as uniões articuladas têm apenas o objetivo explícito de obter vantagem eleitoral e dissolvem-se após a contagem de votos e não determinam necessariamente relação com a distribuição de forças que será montada em torno do governo. Partidos coligados numa determinada disputa muitas vezes encontram-se em posições antagônicas na definição de programas e ações administrativas. Ou seja, partidos ideologicamente distintos unem-se para ganhar a eleição e depois assumem papéis opostos de situação e oposição, deixando perplexos os eleitores que imaginavam haver alguma coerência no sistema eleitoral. De acordo com ele, a situação se torna ainda mais inconsistente quando o eleitor vota em um candidato de determinado partido e acaba ajudando a eleger, em função dos coeficientes eleitorais, outro. O simples fato de que a questão cause disputas judiciais já mostra como é frágil a estrutura que preside nosso sistema eleitoral. A tese de que o mandato deve ser dado à coligação desvaloriza os partidos naquilo que têm de mais essencial: a unidade ideológica e doutrinária em torno da qual se unem seus membros. O senador Pedro Taques, por sua vez, quer mais transparência na prestação de contas de campanha. Um projeto de lei de sua autoria amplia de duas para cinco a quantidade de prestações de contas dos candidatos, partidos e coligações durante a campanha eleitoral. O parlamentar ainda pede que, nestes relatórios, o postulante declare todos os doadores e os respectivos valores recebidos. Atualmente, são duas prestações de contas parciais e o detalhamento dos gastos só ocorre após a eleição.