O presidente da Câmara Municipal de Paranatinga (373 quilômetros a Sul de Cuiabá), vereador Fernando Márcio Marques de Sales (PTB) assumirá o comando do município até a realização de novas eleições que deverão ser realizadas no período de 20 a 40 dias. Isso porque a Justiça Eleitoral cassou o diploma do prefeito eleito Vilson Pires (PRP) com base em processos que apontavam para compra de votos e irregularidades na prestação de contas. A punição também foi estendida ao vice-prefeito Jaime Dias Pereira (DEM) e exige ainda o pagamento de R$ 21,2 mil. Mesmo com a preferência de 5.253 eleitores, os votos válidos atribuídos a Vilson Pires não atinge a margem de 50% o que leva a necessidade de uma nova eleição conforme prega a Legislação Eleitoral. O segundo colocado nas urnas foi o então prefeito e candidato à reeleição, Francisco Carlos Carlinhos Nascimento (PMDB), com 4.435 votos. Um dos processos contra Vilson Pires que levou a Justiça Eleitoral a cassá-lo atende a uma representação do Ministério Público Eleitoral (MPE) na qual acusa que houve negociação para compra de votos na residência do vice-prefeito Vilson Pires. Consta no documento que uma pessoa conhecida por Rosimeire anotou em um caderno dados de aproximadamente 80 eleitores dos quais se incluíam título de eleitor e seção eleitoral. Conforme o depoimento de testemunhas, seria concedido R$ 50 em troca do voto. Em sua defesa, o prefeito eleito contestou o depoimento das testemunhas alegando que se tratava de uma prova unilateral e marcada por excessos e arbitrariedade. Pires argumenta ainda que permaneceu hospitalizado durante parte do período eleitoral, o que impedia de participar de negociações fraudulentas. Na tentativa de reverter a situação, ele negou gastos irregulares na campanha e garantiu que Rosimeire não pertencia ao seu comitê financeiro, assim como o candidato a vereador Marcello Dias Pereira (DEM) envolvido no esquema de compra de votos. No entanto, em depoimento à Justiça Eleitoral, o vice-prefeito Jaime Dias Pereira afirmou que Rosimeire foi auxiliar da campanha do candidato Marcello Dias com a incumbência de remunerar as pessoas contratadas. Reforçando as suspeitas de práticas de irregularidades, duas testemunhas revelaram que houve reunião na véspera da eleição com 80 eleitores, quando foram apresentados 51 contratos de trabalho. A apuração do MPE foi verificado que houve contradição quanto à formulação dos contrato, já que os documentos foram confeccionados após as eleições. A reportagem buscou durante a tarde de ontem entrar em contato com a dupla Vilson Pires e Jaime Dias Pereira mas não houve êxito na tentativa.