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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

Primeira Página
Domingo, 28 de Outubro de 2012, 22h:45

“FEDERAL”

Para PF, camisetas são do comitê de Lúdio

Delegado Cristiano Nascimento, que investiga o caso, destacou que as pistas apontam para o envolvimento da campanha do petista

ALECY ALVES
Da Reportagem
O delegado da Polícia Federal, Cristiano Nascimento, está convencido de que saiu do comitê jurídico da campanha do candidato Lúdio Cabral (PT) a ordem para a fabricação das 200 camisetas semelhantes ao uniforme dos policiais federais. “O desenho da camiseta foi feito em um papel-rascunho de cor [verde] e textura exatamente iguais aos blocos apreendidos no comitê do candidato Lúdio”, declarou Nascimento. Ele explicou que durante as buscas no local, como é de praxe, os agentes observaram detalhadamente tudo que havia no ambiente, encontrando blocos dos papéis aos quais se refere. Ontem, ele deu por encerrada a primeira fase das apurações e encaminhou depoimentos e relatório à juíza da 1ª Vara Eleitoral, Gleide Bispo dos Santos. A magistrada, diz o delegado, é quem vai decidir se o caso requer ou não a abertura de inquérito policial. Ele informou que várias pessoas foram ouvidas, entre as quais o coordenador de Logística da campanha do candidato Lúdio Cabral, Elio Corrêa. Conforme Cristiano Nascimento, Corrêa, que foi apontado pelo fabricante João Nery Chiroli como a pessoa que encomendou as camisetas, apontou o presidente da Associação de Moradores do bairro Borda da Chapada como o responsável pelo pedido. Em depoimento, segundo o delegado, Elio Corrêa disse que mandou fazer as camisetas a pedido do líder comunitário. Nascimento observou que não chamou o presidente da associação para depor. Além de Corrêa não explicar a motivação da encomenda, havia a semelhança entre os papéis do desenho e o apreendido no comitê. De cor preta e com o nome “Federal” gravado com tinta dourada, a única diferença com o uniforme da PF é que nessa não aparecia a palavra “Polícia”. Essas camisetas, conforme a denúncia, seriam usadas por integrantes da campanha do candidato Lúdio para intimidar os eleitores do adversário Mauro Mendes. Dinheiro - A eleição aconteceu e a capital mato-grossense já tem um novo prefeito eleito, mas permanece o mistério: existiu ou não a fortuna de R$ 8 milhões destinados à compra de votos? Para qual candidato seria o dinheiro que, supostamente, desembarcou de um avião em Cáceres (225 quilômetros de Cuiabá), sendo trazido via terrestre para a Capital? O delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações, Cristiano Nascimento, disse que a apuração prossegue depois das eleições, mesmo sem a confirmação da existência do dinheiro. Ontem, a PF começou a analisar a documentação das empresas de táxi que operam no Estado. A intenção é verificar as movimentações aéreas, percursos e planos de voo junto às próprias empresas e aos órgãos oficiais de aviação. Nascimento assegurou que até o momento não sabe se é verdadeira a denúncia, porém várias pessoas - não quis citar nomes -, que supostamente teriam envolvimento na negociação, foram intimadas e prestaram depoimento. Na lista dos que foram ouvidos estão os tesoureiros das coligações de Lúdio Cabral e Mauro Mendes. Em acusações mútuas sobre a propriedade dos milhões e planos de compra de votos, os dois candidatos a prefeito apontaram outros nomes, porém nada foi comprovado pela PF, pelo menos por enquanto.

Edição EDIÇÃO 16961




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