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Sábado, 31 de Maio de 2014, 18h:43

DESDOBRAMENTO

Para MPF, empresário não agia só

THAISA PIMPÃO
Da Reportagem
Embora os holofotes estejam todos voltados ao empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, apontado como principal operador das transações financeiras ilegais investigadas pela operação Ararath, para o Ministério Público Federal (MPF) a magnitude do esquema demonstra que ele não agia sozinho. Ao todo, 10 procedimentos investigatórios apuraram crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. O empresário, portanto, é apenas uma das vertentes do “sistema” que funcionava no Estado. No pedido de prisão preventiva do ex-secretário de Estado Eder Moraes (PMDB), acusado de ser o mentor das ilegalidades, o juiz Jeferson Schneider afirma que a quantidade de notas promissórias apreendidas na residência do peemedebista (ao todo 72) é grande demais para que apenas Júnior Mendonça pudesse sustentar os empréstimos ilegais. À Polícia Federal, Júnior Mendonça, que recebeu o benefício de delação premiada por contribuir com as investigações, informou ter feito os pagamentos a Eder de modo semelhante a “conta-corrente”, pois disponibilizava suas empresas para que as transações fossem efetivadas. O sistema de débitos era amortizado por créditos oriundos de várias empresas, como a Encomind Engenharia e Comércio e Indústria, Todeschini Construtora Terraplanagem, Tocantins Advocacia Ltda. e Sistema Único de Comunicação Social. Estas, por sua vez, receberiam recursos dos cofres do Estado. Os valores “astronômicos” das promissórias que ficavam de posse de Eder intrigam a Justiça. Somente uma delas representa uma dívida de mais de R$ 40 milhões, conforme disposto no inquérito. “[...] Havendo indícios de que outros servem ao esquema, inclusive, outros operadores financeiros em relação aos quais a investigação já se estendeu”, diz trecho da decisão judicial assinada por Schneider, que acrescenta que, como o esquema com Júnior era por “conta-corrente”, as tais notas promissórias foram emitidas em favor de outras pessoas. Outra conclusão a que a Justiça já chegou ao descobrir a complexidade do esquema foi a de impossibilidade de que todos os recursos tivessem como destinação final somente as mãos de Eder Moraes. A Justiça o classifica como “grande operador”, mas acata os argumentos do MPF de que ele agia em nome do então governador (hoje senador) Blairo Maggi (PR) e do então vice-governador Silval Barbosa (PMDB), continuando a “servir” ao peemedebista quando este assumiu o cargo principal do Palácio Paiaguás, em 2011. Informações extraoficiais dão conta de que novos mandados serão cumpridos para que as investigações sejam concluídas a contento. A realização da Copa do Mundo em Cuiabá, no entanto, deve adiar os trabalhos dos agentes federais.

Edição EDIÇÃO 16962




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