Para Dilma Rousseff, direito a defesa deve ser respeitado
A presidente da República, Dilma Rousseff (PT), disse que o objetivo dos chanceleres sul-americanos que viajaram ao Paraguai é tentar criar um ambiente para uma situação menos traumática para a democracia naquele país. Dilma disse ainda que não é possível dizer se haverá sanções ao Paraguai. Para a presidente, não é possível alimentar hipóteses diante de uma situação delicada como a que enfrenta o país vizinho. Não cabe ficar fazendo ameaça por aí. O processo de impeachment do presidente paraguaio, Fernando Lugo, foi aberto ontem na Câmara dos Deputados e foi confirmado pelo Senado. Dilma foi cautelosa ao tratar da questão. A atitude dos 12 chanceleres é de muito respeito pela soberania do Paraguai, mas também de muito respeito pela democracia. Para nós, seria importante uma solução negociada, ou que seja respeitado o direito à defesa, afirmou Dilma. De acordo com ela, caso os chanceleres dos países da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) considerem que houve alguma ruptura da ordem democrática ou dos princípios elementares de Justiça, como o direito à defesa, o país poderá ser expulso de organismos multilaterais da região. O que torna a situação mais complicada: Lugo é presidente pro tempore da Unasul. A situação é ainda um tanto quanto mais constrangedora. Além de ser integrante da Unasul, é presidente pro tempore. Segundo a presidenta, o único chanceler que não pôde se deslocar para o Paraguai foi o da Guiana. Na opinião dela, o fato de 12 países com posições diferentes terem tido a capacidade de agir rápido e em conjunto, em relação à crise paraguaia, mostra que a América Latina evoluiu e que hoje pode agir por si.