O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM/RS) apresentou junto à Procuradoria Geral da República uma notícia-crime contra o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot. Para o parlamentar, ficou claro durante depoimento na semana passada que Pagot cometeu os crimes de concussão, corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa, tráfico de influência e improbidade administrativa. O depoimento de Pagot não deixa dúvida da existência desses crimes. Ele estava aqui sob juramento e creio que o Ministério Público vai levar adiante essa investigação, declarou durante reunião da CPMI que investiga envolvimento do bicheiro Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Onyx pede na representação a responsabilização penal de Pagot, bem como de outros agentes públicos e privados envolvidos ou beneficiados com os delitos assumidos pelo ex-dirigente da autarquia. Além disso, também pede o ressarcimento de eventuais prejuízos causados aos cofres públicos. A confissão de Pagot de que teria se valido da condição de dirigente de uma das mais poderosas autarquias federais para angariar recursos para a campanha de Dilma Rousseff é tão grave que, se vivêssemos em um país que não houvesse se acostumado tanto a esse tipo de conduta de seus agentes públicos, seria motivo de abalar as estruturas da República. Durante quase oito horas de depoimento, o ex-diretor admitiu ter pedido doações de construtoras que prestam serviço ao Dnit para a campanha da presidente Dilma Rousseff (PT). Os episódios relatados por Pagot em seu depoimento têm potencial de colocar em maus lençóis a própria presidente Dilma que, afinal de contas, é a maior beneficiária da arrecadação feita pelo ex-diretor-geral do Dnit. A notícia-crime foi dirigida ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. IstoÉ Para a revista Istoé, o depoimento de Pagot na CPMI decepcionou quem esperava por novas revelações e apenas confirmou o que havia dito sobre as pressões que sofreu para conseguir doações de empreiteiros para políticos. Pagot, no entanto, segundo o veículo de comunicação, afirmou ter sido orientado a pegar leve com os tucanos, pois está sendo processado pelo ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB).