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Primeira Página
Sábado, 12 de Abril de 2008, 15h:09

ENTREVISTA

Novo perfil trará mudanças à Casa Civil

Secretário-chefe da Casa Civil, Eumar Novacki, recém-empossado, prevê um novo ritmo de trabalho e promete mais celeridade

SONIA FIORI
Da Reportagem
Ao ser escolhido pelo governador Blairo Maggi (PR) para a Secretaria-chefe da Casa Civil do Estado, há duas semanas, o major Eumar Roberto Novacki causou surpresa pelo fato de um militar ocupar uma Pasta tradicionalmente de indicação política. A posse, ocorrida na quinta-feira, foi uma das mais concorridas entre os membros do primeiro escalão. A cerimônia, realizada no Palácio Paiaguás, contou com autoridades, representantes dos Poderes Constituídos e políticos do Estado. Dono de um estreito relacionamento com Maggi, Novacki promete seguir uma linha de atuação bem semelhante ao estilo administrativo do chefe do Executivo estadual. Na Casa Civil, reforçará os trabalhos para melhorar o diálogo com os Poderes, instituições e executivos municipais. Contudo, adianta que não abrirá precedentes para pedidos que não possam ser atendidos, lembrando sempre que o caixa público é limitado. A aproximação do governo com a sociedade é meta do novo secretário, que pretende instituir nova metodologia de atuação da Ouvidoria Geral. Com experiência na área da segurança pública, o major chama a atenção para a necessidade de envolvimento da sociedade em assuntos de interesse comum. Nesta entrevista ao Diário, avisa que questões políticas pontuais receberão a devida atenção. Porém, alerta que não abrirá precedentes para pleitos que possam atingir os anseios de bem governar o estado de Mato Grosso. Diário de Cuiabá - O senhor é filiado a algum partido? Eumar Novacki - Não sou filiado a partido e nem posso. Sou militar de carreira, sou major da Polícia Militar e tenho uma restrição quanto a isso. Diário - Seu nome provocou certa surpresa. A Casa Civil vem de uma linha de trâmite político. Como o senhor entende que o governador chegou ao seu nome e como o senhor se vê nesse posto? Novacki - Eu digo o seguinte, talvez até para a sociedade de uma forma geral, de repente no meio político tenha soado estranho, mas internamente, para o governo eu vejo que foi uma passagem bastante natural. Até porque eu acho que o governador me indicou para essa função porque no período em que ficamos junto com ele, desde 2003 procuramos nos envolver com as questões do governo. Sempre teve uma preocupação com o que está ocorrendo e de que forma poderia melhorar e, principalmente, sempre investindo em relacionamentos. A indicação, acho, foi fruto desse envolvimento com as questões do Estado. Diário - Existe um plano de gestão? Pretende mudar algumas coisas e se pretende o que seria nesse início? Novacki - Na verdade pretendo dar continuidade a um trabalho que já vinha sendo bem-feito pelos meus antecessores. O que eu vou procurar é imprimir um novo ritmo, tentar dar mais celeridade, procurar aproximar o governo do cidadão, através de uma Ouvidoria mais atuante. Precisamos estar lá na ponta para ver quais são os verdadeiros anseios e poder avaliar as possibilidades de governo, o que pode fazer diante dessas aspirações da população de forma geral, quais os projetos que podemos tocar. Então, vamos procurar catalisar os esforços nesse sentido, além de buscar uma aproximação com os poderes, que é o papel fundamental nosso. Diário - Quando o senhor fala da Ouvidoria, acha que não vinha dando resultados até agora? Novacki - Eu penso que a Ouvidoria é pouco usada, tem um papel muito passivo e então precisa ser mais ativa no processo. Ela precisa ir atrás das informações, das opiniões é preciso tirar do cidadão as informações de que o Estado precisa para poder trabalhar os projetos, para dar um novo rumo ao governo. A Ouvidoria precisa ouvir as críticas, porque nos ajudam a corrigir rumos e de repente até a mudar estratégias que não conseguimos ver e aprimorar as ideais que existem. Diário - O senhor já tem um nome para substituir o ouvidor-geral, Gilson de Barros, falecido no mês passado? Novacki - Nós estamos avaliando ainda algumas alternativas, e por enquanto ainda não defini. Diário - Na questão do seu adjunto, também devem ocorrer mudanças? Novacki - Deve haver, sim. Estou avaliando alguns nomes e devo anunciar em breve. Agora estou trabalhando sem nenhuma pressão, com tranqüilidade, usando os meios de que nós dispomos, as pessoas que já estão inseridas no processo. Eu pretendo até o final do mês fazer os ajustes necessários, mas sem atropelos e de forma tranqüila como sempre temos procurado fazer. Diário - Desde quando o senhor conhece o governador? Novacki- Começamos a trabalhar juntos logo após a eleição em 2002. Oficialmente em janeiro de 2003, como ajudante de Ordens, e nove meses depois nós assumimos a função, junto com o tenente-coronel Maia de chefe de gabinete do governador. E agora estou saindo para essa missão. Diário - Quando foi escolhido para assumir a função o senhor chegou pessoalmente a sofrer críticas de alguém? Novacki - Não, pelo contrário. Acho que teve uma aceitação muito grande, todos os segmentos sociais manifestaram apoio. Particularmente para mim, muitas pessoas se dirigiram no sentido de parabenizar e dar força. Sei que vou contar com o apoio muito grande das instituições, tenho muitos amigos e acho que são construções que se faz ao longo da vida, investindo em bons relacionamentos, sendo franco, sendo leal em todas as situações, e penso que por isso não houve críticas e nem resistências ao meu nome. Houve algumas brincadeiras, no sentido de um militar assumir a Casa Civil, colocar os secretários em forma, deputado prestar continência, fizeram analogias neste sentido. Mas nenhuma delas dirigida diretamente por alguma pessoa a mim e também vejo que foi mais uma espécie de brincadeira, não no sentido de querer denegrir, ou coisa parecida. Diário - Existe alguma estratégia para melhorar essa aproximação do governo com os demais Poderes? Novacki - Nós vamos dialogar bastante. Ouvir opiniões, porque acredito que só assim conseguimos aperfeiçoar o sistema democrático, que é a essência do nosso governo e dessa forma conseguimos aprimorar as ações do governo. E mostrar a realidade do Estado, até porque somos bastante limitados frente à demanda que existe. Hoje qualquer pessoa tem a maturidade para entender que se a gente arrecada “X”, só tem “X” para gastar e não pode passar disso. Então, é ser bastante claro, bastante objetivo com as pessoas. Aquilo que for possível de assumir compromisso e dissermos sim, nós vamos honrar. Mas vamos dizer não sempre que necessário, mas o não sempre vem acompanhado de uma justificativa plausível, da forma mais clara possível da realidade que nós estamos vivendo. Diário - Essa linha parte de uma orientação do governador e houve outras orientações para assumir a Pasta? Novacki - A orientação que o governador nos passou principalmente é que se busque uma aproximação com os Poderes, até porque essa é uma característica própria nossa. A orientação é para que vamos às bases buscar informações a respeito do governo, o que a sociedade tem a dizer, o que a gente pode melhorar, o que pode ser feito. Tudo isso para que melhore a interlocução com os prefeitos, enfim, na intenção de buscar uma aproximação, até porque lá na ponta com os prefeitos e os vereadores estão as demandas cotidianas da população. Então, esperamos abrir um canal direto também com os prefeitos para ver o que podemos melhorar e, dentro dessa questão de se aproximar da população, tornar a Ouvidoria mais ativa. Diário - Estamos num ano eleitoral. O senhor a acha que sua escolha visa tentar de alguma forma separar o governo dos pleitos eleitorais? Novacki - O governador, de uma forma geral, sempre soube separar muito bem o que é política institucional, o que é política de governo da política eleitoral, da política partidária. Isso não é problema, vejo que independente de quem estivesse aqui teria que seguir as orientações do governador. Afinal de contas, a Casa Civil segue a batuta do governador. Agora eu tenho uma clareza disso, até porque venho acompanhando o governador há bastante tempo e sei como ele pensa nos mais diversos assuntos. Então, nesse ponto específico eu também sei muito bem separar essas questões: o que é política institucional e o que é política eleitoral e política partidária. Até por isso não entro em celeumas, não entro em discussões. E a população hoje tem maturidade suficiente para entender quando as questões se misturam um pouco. Por isso, fico tranqüilo para exercer o papel de secretário-chefe da Casa Civil. Diário - Existem questões políticas em relação ao governo que podem ficar mais acirradas neste ano. Como pretende lidar com essa situação? Novacki - Eu acredito que não, acho que hoje temos uma maturidade política para conseguir separar bem as coisas. Nós não podemos misturar as eleições, que estão próximas, da governabilidade do Estado sob a pena de a população ser a maior prejudicada desse processo. Então, hoje nós temos a maturidade da Assembléia, dos demais Poderes e instituições. A sociedade, de uma forma geral, então não vejo problemas em relação a isso. Vamos conversar bastante, vamos valorizar bastante a nossa base na Assembléia, vamos procurar ouvi-los e respaldá-los nas ações que são importantes para a população. Em relação às eleições, podem ocorrer algumas coisas muito pontuais, mas que não traremos para dentro do governo sem misturar relação institucional. Então, a gente acaba isolando o problema. Diário - O Pagot (hoje diretor-geral do Dnit), enquanto secretário-chefe da Casa Civil, instituiu uma metodologia de trabalho de atendimento no Poder Legislativo. O senhor pretende fazer alguma ação semelhante? Novacki - Me franquearam já essa sala lá na Assembléia e eu estou buscando ainda um método muito próprio de trabalho, mas não está descartada a possibilidade de a gente ir despachar lá, de buscar uma aproximação com o Poder. Diário - O senhor tem pretensões políticas e já chegou a receber convites? Novacki - De forma nenhuma. Não recebi convite e também não aceitaria. Tenho outros projetos para minha vida, tenho outros propósitos. Venho de uma carreira militar e pretendo seguir a carreira militar. Nesse momento, eu diria que empresto algumas qualidades que eu trouxe da minha experiência militar junto com a sensibilidade humana que me foi despertada no berço, somando com a experiência política desses anos junto com o governador. Eu diria que empresto tudo isso para tentar contribuir para construir um ambiente melhor para se viver. Trabalho com o propósito de colaborar para tentar construir um Estado melhor, somando esforços, otimizando os nossos recursos financeiros. Enfim, vou tentar dar a minha contribuição neste momento, nessa função. Diário - Na questão da imagem da administração o governador é alvo de críticas em relação à questão ambiental, e agora vem outra discussão em torno dos incentivos fiscais. O senhor vê alguma dificuldade nesse sentido? Novacki - Não vejo dificuldade no fato de lidar, até porque no governo tudo tem que ser muito transparente. No governo não existem meias- verdades: você tem que colocar de forma completa e o Estado tem feito isso. Infelizmente, por razões menores, por razões políticas eleitorais, muitas vezes são explorados de forma negativa. Ou tentam vender para a população uma coisa que na verdade não é. Eles distorcem um pouco a realidade na hora de falar as coisas, mas o governo tem colocado de forma muito transparente e clara todas essas questões. Mas cabe à população sempre que ouvir uma matéria dessa fazer uma avaliação consciente. O Estado não tem se recusado a abrir tudo o que está acontecendo, tudo o que está fazendo. E a questão dos incentivos fiscais, é feito o que está na lei, é de acordo com a legislação. O governador não pode simplesmente, numa canetada, decidir quem vai ter incentivo e quem não vai. Existem um comitê e uma lei que regulamentam isso. O governo não teme, porque todas as ações são praticadas de forma clara e precisa, e vamos continuar assim. Diário - O seu nome chegou a ser avaliado para assumir a pasta da Segurança Pública. Como o senhor vê esse setor no Estado? Novacki - A segurança pública teve avanços significativos. Não podemos negar, basta olhar os índices de alguns anos para cá. Mas precisa ser feito mais. A sociedade precisa se envolver nas questões. A questão de segurança pública não é só papel do Estado. Nós temos exemplos no mundo todo de que só se resolveu o problema da violência quando a sociedade resolveu participar. Nesse sentido, a sociedade precisa entender que o crime funciona como uma cadeia, ele ocorre em cadeia que pode ser progressiva. A droga, por exemplo, alimenta uma violência extremada, mas muitas vezes o usuário de droga não tem noção de que aquela atitude vai ter um reflexo muito negativo na sociedade e que pode pagar um preço alto. Quando começar a ter consciência, a sociedade começa a dar um basta nessas questões e melhorar o ambiente em que vive. Mas tem que haver o envolvimento.

Edição EDIÇÃO 16962




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