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Terça-feira, 13 de Maio de 2008, 23h:09
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CÂMARA DE CUIABÁ
Novo pedido para afastar Lutero
ALECY ALVES
Da Reportagem
O presidente da Câmara de Vereadores de Cuiabá, Lutero Ponce (PMDB), ficou bastante irritado com a reapresentação do pedido de seu afastamento do cargo, de autoria da vereadora Enelinda Scala, e as cobranças do presidente do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Antônio Cavalcante Filho, Ceará e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT). Na sessão de ontem, pouco antes da leitura do requerimento da vereadora, Ceará, o presidente da OAB-MT Francisco Faiad, e os advogados Bruno Boa Ventura e Vilson Nery, passaram quase 1h no gabinete da Presidência à espera de Lutero. O MCCE, explicou Ceará, quer cópias do relatório da auditoria feita nas contas do Legislativo referentes ao período de 2005 e 2006, e dos documentos contábeis (notas fiscais e outros) auditados, período em que a atual deputada, ex-vereadora Chica Nunes (PSDB) era presidente e Lutero exercia o cargo de primeiro-secretário do Legislativo. O fornecimento desse material, diz, está previsto na sentença expedida semana passada pelo juiz Alberto Ferreira de Sousa num mandado de segurança impetrado pelo Movimento. Como não conseguiram falar com o presidente, os representantes do MCCE deixaram a Câmara planejando retornar acompanhados de um oficial de justiça. Esperávamos que essa decisão fosse cumprida administrativamente, ponderou Faiad, complementando que agora o jeito é ir pelo caminho judicial. Ceará, que também saiu chateado com o pouco caso do presidente do Legislativo Municipal, disse que se nos próximos dias não obtiverem os documentos vão pedir a prisão preventiva de Lutero por desrespeito à decisão judicial. Esperamos por ele no gabinete, depois fomos para o plenário, chegamos a vê-lo na sessão, mas não conseguimos falar com ele, frisou. Já a vereadora Enelinda Scala diz no requerimento que não está acusando Lutero Ponce da prática de corrupção, mas adotando uma medida que certamente permitirá que as denúncias sejam investigadas de maneira clara. Enelinda se confessou constrangida com a avalanche de matérias na imprensa e com a maneira como o ex-conselheiro do Tribunal de Contas, Júlio Campos, na época relator das contas do Legislativo, se referiu ao relatório da auditoria encomendada por Lutero. Fajuta, essa foi a classificação de Júlio Campos, citou a vereadora. O requerimento dela foi lido e entrou em tramitação. A expectativa da vereadora é que na próxima sessão, quinta-feira, entre em votação e, conseqüentemente, seja aprovado. Para a apreciação em plenário, o pedido tem que contar com o respaldo da maioria dos vereadores. O vereador Luiz Poção (PP), atual primeiro secretário, já se manifestou contrário ao afastamento de Lutero. No entendimento dele, essa é uma questão que os vereadores deveriam deixar a cargo da Justiça. Tem processo tramitando, vamos aguardar o resultado, aconselhou.