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Quinta-feira, 05 de Julho de 2007, 19h:52

MR-8 marcou o início de sua trajetória política

Bolívia, 8 de outubro de 1967. Num canyon em La Higuera, nos Andes, o destacamento do capitão Gary Prado cercou o grupo armado comandado pelo guerrilheiro Ramón, que liderava um levante armado contra o governo de René Barrientos. Após intenso tiroteio, com a perna perfurada por balas e com a pistola automática emperrada, o líder se rendeu e os militares bolivianos descobriram que sua identidade não passava do codinome do médico argentino Ernesto Guevara, o “Che”. A data tornou-se emblemática para a esquerda latino-americana, porque marcou o último lance de luta de Che Guevara, que no dia seguinte - após interrogatório - seria executado. Quando Che Guevara tombou o continente estava em ebulição dividido entre a direita e os defensores da cubanização. Na cidade do Rio de Janeiro, então estado da Guanabara, o Comitê Universitário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) se transformou na Dissidência da Guanabara (DI-GB) descambando para a luta armada contra o regime militar. Os jovens da DI-GB reverenciavam Che Guevara. Assim nasceu o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), de orientação marxista-leninista, que fez proezas com armas, sendo a mais famosa o seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, que foi a primeira vítima desse tipo de crime na história da diplomacia do primo rico no norte. Elbrick foi trocado por um grupo de guerrilheiros, dentre os quais José Dirceu. Em 1976 as forças políticas se acomodavam no bipartidarismo da Aliança Renovadora Nacional (Arena) governista e do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Clandestino, o MR-8 se abrigava numa das correntes do Manda Brasa – apelido carinhoso do povo ao partido oposicionista. Jovens lutavam em todas as frentes possíveis contra a ditadura, inclusive nas trincheiras políticas. Dante militava no MR-8, que conheceu nos meios universitários do Rio de Janeiro, onde se formou em engenharia civil. Com um pé no palanque e outro no MR-8, Dante iniciou sua trajetória na vida pública e fez das tripas o coração em 1976, mas não conseguiu se eleger vereador por Cuiabá: ficou na suplência de Gilson de Barros, Odil Moura, João Torres e Aldísio Cruz. O resultado não o esmoreceu. Ao contrário, injetou mais sangue político em suas veias e quatro anos depois o povo lhe outorgou mandato de deputado estadual pelo Manda Brasa, e juntamente com Márcio Lacerda, Isaías Rezende, Paulo Nogueira, Roberto Cruz, Jalves de Laet e João Torres formava a bancada de oposição ao governador biônico Frederico Campos. Da Assembléia para a Câmara dos Deputados foi um pulo. Em 82 o Manda Brasa era apenas uma lembrança e em seu lugar surgiu o PMDB incorporado pelo PP que abrigava a velha guarda da extinta UDN. Naquele ano Dante, se elegeu deputado federal pelo PMDB. (EG)

Edição EDIÇÃO 16967




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