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Sábado, 27 de Setembro de 2014, 13h:15

ARARATH

MPE visa operações conjuntas com a PF

Boa parte dos esquemas desarticulados pela operação Ararath já vinha sendo monitorada pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE)

ALLINE MARQUES
Da Reportagem
Apesar de o grupo de trabalho do Ministério Público Estadual (MPE) ter sido criado após a deflagração da quinta etapa da operação Ararath, o órgão já vinha investigando os crimes de lavagem de dinheiro e financeiro e atualmente cruza informações com o Ministério Público Federal para concluir as investigações. A força-tarefa criada pelo MPE conta com os promotores de justiça Célio Joubert Fúrio, Mauro Zaque de Jesus, Roberto Aparecido Turin e Sérgio Silva da Costa e foi instituída pelo Ato 357/2014. Ela surgiu com objetivo de apurar, também, o suposto envolvimento de membros do órgão no esquema. No entanto, Eder Moraes, que foi alvo da quinta etapa da Operação, também já era alvo de inquérito instaurado no MPE. A diferença entre as investigações realizadas pelo MPF e MPE são os tipos de crimes. A instituição federal atua contra crimes praticados contra o sistema financeiro e a ordem econômica financeira. Fato que estaria relacionado, por exemplo, com a sexta etapa da operação Ararath, envolvendo o suplente de deputado Gilmar Fabris (PSD), em que o objetivo foi desarticular uma organização criminosa especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. O foco da investigação são pessoas e empresas que agiam como instituição financeira sem autorização do Banco Central e facilitavam a lavagem de ativos de origem ilícita, cujo dinheiro circularia num sistema financeiro paralelo sem controle e fiscalização. No caso do MPE, em Mato Grosso, a investigação está relacionada ao crime de lavagem de dinheiro, o qual teria Eder Moraes no centro das investigações. Além disso, alguns dos envolvidos no esquema possuem foro privilegiado e por isso coube ao MPF investigar, já que alguns dos inquéritos da Ararath tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ), o qual apura a participação do governador Silval Barbosa (PMDB), e no Supremo Tribunal Federal (STF), que estaria relacionado com o senador Blairo Maggi (PR). Eder foi secretário de Estado nas duas gestões. Assim como o procurador-geral da República Rodrigo Janot prorrogou os trabalhados da força-tarefa executada pelo MPF para investigar documentos apreendidos na 5ª fase da Ararath, que investiga políticos e empresas envolvidos em empréstimos ilegais e que seriam pagos com recursos do governo estadual, o MPE também estendeu o prazo para concluir a apuração. Na quinta fase da Ararath em algumas planilhas apreendidas na casa de Eder Moraes constavam pagamentos de precatórios a membros do MPE, dentre eles o procurador Paulo Prado e o promotor Marcos Regenold, que foi afastado no cargo por ter tido uma interceptação telefônica com Eder Moraes. O MPE alegou não haver irregularidades e explicou que a lista refere-se a pagamentos legais feitos a servidores, por meio de precatórios, que tinham direitos trabalhistas a receber. A sexta fase da Operação conta com busca e apreensão na empresa, casa e escritórios de Gilmar Fabris, tanto em Cuiabá quanto em Ribeiro Preto-SP. Ele e Eder Moraes foram indiciados no esquema conhecido como Cartas Marcadas, Operação deflagrada pela Delegacia Fazendária em 2011, que investigou o pagamento de títulos concedidos a servidores que pode ter causado um prejuízo de R$ 439,9 milhões aos cofres públicos e a 255 servidores da Secretaria de Estado de Fazenda. Porém, para acabar com o mal-estar criado com a divulgação da lista que incluía nomes de promotores e procuradores, o próprio procurador- geral da República veio a Mato Grosso e ressaltou a importância da parceria entre os dois órgãos. A previsão é de que no próximo mês as ações da força-tarefa criada em Mato Grosso sejam concluídas.

Edição EDIÇÃO 16968




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