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Segunda-feira, 30 de Março de 2009, 21h:29
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TANGARÁ DA SERRA
MPE formula ação contra Ladeia
RAFAEL COSTA
Especial para o Diário
O Ministério Público Estadual (MPE) formulou ontem pedido de ação civil pública na qual exige a cassação dos direitos políticos e a indisponibilidade dos bens do prefeito de Tangará da Serra (239 km a médio norte de Cuiabá), Julio César Ladeia (PR). Assinada pelo promotor de Justiça Reinaldo Rodrigues de Oliveira Filho, a ação se baseia em supostos gastos irregulares em publicidade e ainda pede pagamento de multa civil no valor de duas vezes ao dano possivelmente causado aos cofres públicos. O MPE também pede a condenação ao pagamento das custas e despesas processuais estipuladas em R$ 1,5 milhão. De acordo com a denúncia feita pelo vereador Amauri Paulo Cervo (PMDB), a prefeitura de Tangará autorizou ilegalmente a celebração de aditivos aos contratos firmados com uma agência de publicidade. O acréscimo de 25% sobre o valor atualizado nos contratos desrespeitaram normas da Lei Federal nº 8.666/93 que trata dos procedimentos de licitação na administração pública. O documento aponta ainda que houve excessos nos gastos com publicidade nos últimos anos em detrimento de áreas sociais do município. A prefeitura de Tangará da Serra realizou gastos com despesas de publicidade na ordem de R$116.353,70 (2005); R$400.175,39 (2006); R$945.745,13 (2007) e até julho de 2008 R$549.579,28. Tais valores indicam que a média de gastos com publicidade nos últimos três anos, foi de R$ 487.424,65, enquanto que a despesa realizada no ano de 2008 (até 05 de julho) já atingia o importe de R$549.579,28. Neste sentido conclui-se que a prefeitura nos anos de 2007 e 2008, intensificou consideravelmente os gastos de natureza publicitária, a ponto de majorar, em mais de 200%, o orçamento municipal com publicidade para o exercício de 2006, diz um dos trechos da ação. Responsável pelas investigações, o promotor Reinaldo Oliveira ainda aponta uma série de irregularidades nos procedimentos do republicano Julio Cesar Ladeia à frente do Executivo que serviu para beneficiar o gasto excessivo em comunicação. Verifica-se que os aditamentos se limitaram a alterar apenas o valor da contratação, não projetando modificações no prazo de vigência e no objeto e execução dos serviços contratados. A alegação do requerido Julio Cesar Ladeia no sentido de atribuir ao serviço de publicidade o caráter continuado, além de não ser suficiente a respaldar os sucessivos aditamentos promovidos, faz demonstrar a total falta de planejamento e programação das ações desencadeadas pela administração pública municipal, a ponto de autorizar três aditamentos contratuais em menos de oito meses da realização do negócio jurídico originário, complementa. O pedido do MPE será enviado a Comarca de Tangará da Serra para julgamento. O prefeito Julio César Ladeia foi procurado pela reportagem, mas não houve êxito na tentativa.