Governador disse ontem que Jonas Pinheiro já pensava em aposentadoria, após concluir mandato de senador
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
A morte do senador Jonas Pinheiro (DEM) não altera a análise do governador Blairo Maggi (PR) sobre os rumos de seu futuro político em 2010. Conjecturas no meio político apontam que a lacuna deixada por Jonas na atuação em prol do agronegócio estimule à frente candidatura de Maggi ao Senado Federal. A avaliação foi feita após audiência do chefe do Executivo com representantes do Sindicato dos Jornalistas. Maggi observa que por várias vezes Jonas já havia mencionado que pretendia sair da cena política rumo à aposentadoria após três mandatos de deputado federal e dois de senador. O segundo mandato no Senado foi interrompido com a morte no dia 19. Vítima de uma parada cardiorrespiratória, Jonas acabou falecendo nove dias depois, por falência múltipla de órgãos. O senador já tinha manifestado o desejo de sair. Por isso, o quadro de 2010 já era pensado sem a figura de Jonas. Ele até chegou a disputar a última meio a contragosto, ressalva o governador. Jonas Pinheiro era encarado como o pai da carreira política de Maggi, principal idealizador do ingresso do megaempresário rural na vida pública. Pesquisas já apontam que o governador venceria sem dificuldades a disputa ao Senado caso as eleições fossem hoje, arrebanhando cerca de 30% das intenções de voto. No PR, alas do partido defendem a investida de Maggi à presidência da República em 2010 ou, numa segunda hipótese, ao posto de vice. Uma das hipóteses aventadas é a composição com o PT, em chapa encabeçada pela ministra Dilma Rousseff. Maggi tem se esquivado sistematicamente assumir previamente a candidatura em 2010. É muito cedo para que eu tome qualquer definição. Temos três anos de governo pela frente, silencia o governador. Blairo Maggi ainda rechaça a tese levantada nos bastidores de que a morte do senador Jonas Pinheiro ainda venha provocar o afastamento entre o PR e o DEM. O político era tido como o principal elo ao ingresso do partido na base de sustentação do governador. REFORMA TRIBUTÁRIA - Maggi está analisando o projeto de reforma tributária entregue esta semana pelo governo federal ao Congresso Nacional. Membro da base de sustentação do governo Lula, Maggi confirma que por várias vezes recebeu apelos do Palácio do Planalto para que apóie a matéria e integre o corpo-a-corpo junto a parlamentares. Ele afirma que irá se reunir na próxima semana com a equipe econômica da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) para ouvir a avaliação detalhada do projeto. Maggi declara que irá consultar em caráter especial o secretário-adjunto de Receita Pública da pasta, Marcel Souza de Cursi, que há anos acompanha as discussões acerca da reforma tributária. Esta semana, Maggi adiantou que uma alteração na área tributária do país é inadmissível sem a instituição de um fundo de compensação compatível à necessidade de compensação de Estados menos desenvolvidos, que não contarão mais com a concessão de incentivos fiscais para a atração de novos empreendimentos. Nos primórdios da discussão da reforma, o fundo era vislumbrado em R$ 2 bilhões, volume considerado insuficiente para a partilha entre as unidades da Federação.