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Terça-feira, 19 de Junho de 2012, 22h:13
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DOSSIÊ TUCANO
Ministério Público denuncia aloprados
Eles responderão por crimes como formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Documentos queriam ligar o então candidato José Serra à máfia dos sanguessugas
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra nove pessoas sob acusação de envolvimento na trama petista para a compra de um dossiê contra políticos do PSDB, nas eleições de 2006. Entre os denunciados, estão os aloprados Valdebran Padilha, Hamilton Lacerda, Jorge Lorenzetti, Expedito Veloso, Osvaldo Bargas e Gedimar Pereira Passos. Padilha é empresário em Mato Grosso e, em 2004, atuou como arrecadador na campanha do PT à prefeitura de Cuiabá. Lorenzetti, Veloso, Bargas e Gedimar trabalhavam à ocasião na campanha à reeleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Lacerda, à época, era braço-direito do hoje ministro Aloizio Mercadante (Educação) e coordenava sua campanha ao governo de São Paulo. Os seis responderão por crimes de formação de quadrilha, contra o sistema financeiro, de lavagem de dinheiro e declaração de informação falsa em contratos de câmbio. Os outros três denunciados foram os empresários Fernando Manoel Ribas Soares e Sirley Silva Chaves, além de Levy Luiz da Silva Filho (cunhado de Sirley). Fernando e Sirley são sócios na Vicatur, empresa de turismo suspeita de ser a origem de parte do R$ 1,7 milhão que seria utilizado na compra do dossiê. Os três responderão a acusação de fraude em operação de câmbio. Trama - O dossiê era composto de um vídeo e fotos que mostravam o candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, em uma cerimônia de entrega de ambulâncias realizada em Cuiabá em 2001, quando era ministro da Saúde. O evento foi promovido pela Planam, empresa pertencente aos empresários Darci e Luiz Antônio Vedoin, chefes da chamada máfia dos sanguessugas, que fraudava a compra de ambulâncias por emendas parlamentares. Segundo as investigações, foi a família Vedoin quem ofereceu o material aos petistas e o negociou por R$ 2 milhões. A concretização da trama foi impedida pela Polícia Federal na noite de 15 de setembro de 2006. Na ocasião, Valdebran e Gedimar foram presos, em um hotel de São Paulo, portando um total de R$ 1,168 milhão e US$ 248,8 mil em dinheiro. Até hoje, a origem da maior parte do dinheiro permanece desconhecida. O encontro do hotel, segundo a denúncia, seria para arrematar as negociações, que teriam como objetivo a desestabilização da campanha tucana através da criação de um vínculo entre o candidato do PSDB à máfia dos sanguessugas. A procuradoria, na denúncia, diz que os laudos de exame financeiro "não demonstraram que os recursos [para a compra do dossiê] provieram de campanha eleitoral". A maior parte dos recursos não teve origem identificada.