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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

Primeira Página
Sábado, 10 de Abril de 2010, 13h:58

ENTREVISTA

Mendes parte para o contra-ataque

Empresário, candidato ao governo do Estado, se mostra disposto a enfrentar Wilson Santos e Silval Barbosa na disputa eleitoral que se aproxima

SONIA FIORI
Da Reportagem
Empresário que iniciou sua trajetória política nas eleições municipais de 2008, quando disputou a prefeitura de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB) se apresenta como um pré-candidato ao governo que assume a missão de assegurar uma real mudança na gestão pública de Mato Grosso. Mesmo que não traga a bagagem da experiência política, ele é reconhecido pela habilidade em montar estratégias que prometem tornar o embate com o governador Silval Barbosa (PMDB) e o ex-prefeito tucano Wilson Santos ainda mais acirrado. Nesta entrevista ao Diário, Mauro revela uma das principais táticas eleitorais. Na liderança do bloco denominado de Mato Grosso Muito Mais, com apoio do PDT e de líderes do PPS, o cabeça-de-chapa anuncia um grande “contra-ataque” político. A partir de agora, o foco do empresário paira sobre a meta de atrair para sua aliança partidos que figuram entre aliados de Silval e do ex-gestor Wilson Santos, caso do DEM, PTB, PR e o PT. O Partido Verde, segundo ele, está cada vez mais próximo de fazer parte da composição. No leque de siglas que serão chamadas para entendimentos consta o Partido Progressista, que tem em seus quadros o presidente da Assembleia Legislativa, deputado José Riva. Ao afirmar a necessidade de a sociedade participar ativamente da política do país, ele deixa claro a linha que conduzirá sua disputa, em especial, com Wilson Santos. Para Mauro Mendes, essa será a luta “da verdade contra a mentira” - fazendo menção à promessa feita pelo candidato tucano, nas eleições municipais, de não deixar a administração da Capital. Diário de Cuiabá - Diante da possibilidade de apoio do PPS estadual, pela Nacional do partido, que perspectiva se abre para o Movimento Mato Grosso Muito Mais? Mauro Mendes - Extremamente positivo! Estamos confiantes e trabalhando como sempre fizemos, falando a verdade, trabalhando sem fazer muito barulho e passo-a-passo construindo a nossa candidatura e, se Deus quiser, a nossa vitória. Diário - Nesse encontro com o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, o senhor sentiu realmente o aval ao movimento? Mauro - O presidente nacional do Partido Popular Socialista, o deputado Roberto Freire, foi muito claro em afirmar a exigência de que o partido em Mato Grosso apoie para presidente da República José Serra, e que no Estado para governador eles teriam autonomia para escolher o melhor caminho para o partido. E nós acreditamos e temos certeza de que a maioria está e estará ao nosso lado. Diário - São três pilares então: o PSB, o PDT e o PPS... Mauro - E o PV! Diário - O PV também está confirmado? Mauro - O PV está caminhando junto conosco e tenho certeza de que ele também estará junto após as discussões que estão acontecendo dentro do partido. Diário - Que outras perspectivas se abrem em termos de partidos que poderão se aliar a sua candidatura? Mauro - A partir do momento em que nós consolidarmos esses quatro partidos, e eu já julgo que estão muito próximos da consolidação, que acontece definitivamente com as convenções, mas nós estaremos agora partindo para o contra-ataque, já que atacaram muito os nossos partidos. Eu agora também posso ir ao encontro desse desafio, de também discutir com partidos que hoje estão na base dos meus possíveis adversários. Diário - Quais partidos Mauro? Mauro – Todos! Diário - Todos? O senhor pode enumerar quais, por exemplo? Mauro - Vamos conversar com o DEM, com o PT, com o PTB, com o PR e com vários partidos mostrando que nós podemos ser uma boa alternativa para administrar Mato Grosso a partir de 2011. Diário - Como acredita que irá convencer o DEM? Que tipos de argumentos poderão assegurar essa estratégia? O senhor acredita que de fato exista essa possibilidade? Mauro - A democracia pressupõe o direito ao livre exercício das opiniões. Acredito que esses partidos são todos democráticos, têm opiniões divergentes, mas respeitosamente. Então respeitando os líderes regionais, respeitando as hierarquias dos partidos, nós vamos procurar a todos para um diálogo sobre o Movimento Mato Grosso Muito Mais e sobre o futuro do nosso Estado. Diário - Esse contra-ataque começa agora? Mauro - Começa a partir da próxima semana. Diário - Já tem alguma agenda com algum partido? Tem ideia de qual sigla será a primeira da lista? Mauro - Nós estamos fazendo isso, através dos líderes dos nossos partidos, através do deputado Valtenir, deputado Otaviano Pivetta e deputado Percival Muniz, juntamente comigo. Estamos fechando essa articulação. Mas nós vamos respeitosamente conversar com todos os partidos, inclusive com o PP. Diário - Essa questão do PP, o ex-procurador da República Pedro Taques expôs certa contrariedade com uma aproximação com a sigla. Como analisa essa situação? Mauro - Eu respeito todos os partidos. Acho que todos eles têm grandes quadros, têm pessoas que têm sua história, sua trajetória, e todos merecem ser respeitados. E no momento de eleição o grande juiz é o eleitor. Eu não vou me colocar nesse momento para julgar nem “A” nem “B” e vou procurar conversar com todos, respeitosamente, dialogando para a construção da viabilidade política tão importante. Sei que em todos esses partidos há pessoas que interessam a todos nós que estamos no Movimento Mato Grosso Muito Mais. Diário - Como fica o PMDB, através da candidatura do governador Silval Barbosa? Acredita que conseguirá atraí-los para uma composição? Mauro - Neste caso, acredito que não”! É o partido do candidato e nós temos que respeitar isso. E respeitaremos! Diário - Mas quando o senhor fala de contra-ataque, como pretende desestabilizar o apoio conferido hoje por outros partidos para seus adversários? Mauro - Partidos aliados não significa partidos da base do candidato. O meu partido é o PSB e eu vou respeitar o PSDB e vou respeitar o PMDB. Somente esses três partidos, porque são a legenda do pré-candidato e esses nós não vamos procurar, em respeito aos próprios pré-candidatos. Diário - Acredita que possa assegurar apoio do Partido da República? Mauro – Sim, claro, o PR não tem pré-candidato e dessa forma pode se coligar com outro pré-candidato. E nós vamos conversar com esses partidos. Diário - O senhor contará com sua proximidade com o ex-governador Blairo Maggi para essa discussão? Mauro - Vamos conversar com todos os líderes, com as lideranças formais dos partidos, mas também com as lideranças na base. Acho que política se faz em todas as instâncias do partido desde as suas lideranças formais, mas com todas aquelas pessoas que compõem o partido e a própria sociedade. Diário - Como está a relação hoje entre Blairo Maggi e Mauro Mendes? Mauro - Desde que o governador deixou o governo não tive a oportunidade de falar com ele. Mas continuo mantendo por ele todo o respeito e consideração que eu sempre tive. Diário - Houve aquela reunião na residência do governador Blairo Maggi, da qual o senhor e Silval Barbosa participaram. Existe ainda alguma possibilidade de pesquisas virem a definir por uma composição entre os dois grupos políticos? Mauro - Águas passadas! Nesse momento eu vejo que escolhemos um caminho e vamos trilhar nele. Estamos com o Movimento Mato Grosso Muito Mais e estamos consolidando a nossa aliança inicialmente prevista. Estamos vencendo essa primeira fase e essa primeira batalha. Já que tentaram de tudo para inviabilizar e tomar esses partidos nós vamos para as próximas agora, que é ampliar o nosso arco de alianças. Diário - Quem ou quais os partidos que “tentaram de tudo”? Mauro - Eu vi várias tentativas feitas por todos os dois lados, por todos os dois movimentos dos lados dos pré-candidatos “A” e “B” tentando retirar partidos da minha base de apoio. Diário - O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, tem uma agenda nesta segunda-feira em Cuiabá. Ele se reúne com o governador Silval Barbosa e também com o senhor, na Fiemt. Essa conversa com o Silval pode partir para uma aproximação? Mauro - O ministro Lupi é um homem de palavra, acredito nisso. Ele já deu em Brasília, na presença dos líderes regionais, do próprio Pedro Taques, a confirmação de que o PDT deverá em nível nacional apoiar a ministra Dilma Rousseff e isso será garantido, e em nível regional a definição caberá aos líderes regionais. E essa decisão já foi tomada porque a Executiva do PDT já se pronunciou favorável à aliança com o PSB para disputar o cargo de governador. Diário - Como analisa hoje os candidatos Silval Barbosa e Wilson Santos? Mauro - Vou procurar respeitar a todos, como tenho que respeitar todo cidadão. Vou procurar fazer política olhando para o futuro, olhando para os problemas e principalmente para as soluções que isso interessa a todos nós. Cada um tem sua história, cada um tem suas qualidades e tem seus defeitos e todos vão responder por elas agora, perante o eleitor. Diário - Acredita que a Operação Hygeia, deflagrada pela Polícia Federal, vai atingir o projeto do PMDB? Mauro - Isso é lamentável, é um exemplo daquilo que não deveria acontecer no nosso país. Fico contente quando a Polícia Federal, as autoridades estão agindo e tenho certeza de que com essa atuação a gestão pública tende cada vez mais a melhorar. Diário - O senhor tem uma história com o ex-prefeito Wilson Santos de disputa que começou ainda no período da universidade. Tem por conta disso algum posicionamento mais crítico em relação a ele? Mauro - Eu acho que em 2008 a mentira venceu a verdade. Eu disse muitas vezes que ele não ia cumprir o mandato de quatro anos e ele repetiu sistematicamente “eu amo Cuiabá e meu compromisso é ficar quatro anos”. A verdade prevaleceu e eu disse “ele não vai cumprir esse compromisso”, como ele não cumpriu. E eu tenho certeza de que em 2010 a mentira será derrotada pela verdade. Diário - O senhor vai fazer então uma cobrança pontual? Mauro – Seguramente, eu tenho certeza de que ele deverá prestar contas não só a Mauro Mendes, mas a todos os cuiabanos que confiaram nele, e ele traiu a confiança daqueles que votaram nele. Diário - Mauro, o movimento hoje já vem elaborando um programa de governo. Quais os principais setores ou ações a serem executadas caso vença a disputa? Mauro - O Estado tem uma gama enorme de responsabilidades. Obviamente, existem as prioridades face ao momento atual em que vivemos. E não podemos deixar de reconhecer que a saúde deverá ser uma prioridade, a área social, a geração de emprego e a criação de oportunidades para que Mato Grosso possa crescer. Mas acima de tudo, para que esse crescimento possa refletir verdadeiramente na melhoria da qualidade de vida das pessoas que vivem nesse Estado. Diário – Por que disputar o governo? Mauro - Fazer política é um dever de todos nós. Entrei nisso porque acredito que a sociedade e o cidadão precisam participar, acredito que eu posso contribuir muito com o futuro do nosso Estado e vou pedir uma oportunidade para dar a minha contribuição para que Mato Grosso seja um Estado melhor. Espero que as pessoas também participem da eleição, seja defendendo o candidato “A”, “B” ou “C”, mas eu conclamo o cidadão de bem a participar da política, fazer a boa política com coragem e determinação, porque dessa forma estaremos, juntos, construindo e não só criticando aquilo que nós achamos que está errado.

Edição EDIÇÃO 16968




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