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Sábado, 20 de Junho de 2009, 13h:14

HISTÓRIA

Memórias da Polícia Especial de Vargas

O ex-soldado Affonso Solano, residente em Cuiabá, relembra o tempo em que atuou na polícia que tinha a meta de manter a ordem pública e disciplina social

RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Quem vê Affonso Solano pela primeira vez não imagina que está se deparando com uma figura que contribuiu com o país em tempos de turbulência social. O sorriso fácil e a receptividade com as pessoas levam a acreditar que se trata de um idoso que sempre esteve ao lado da harmonia e hoje encontra na alegria a satisfação para viver. Porém, uma rápida conversa é o suficiente para revelar episódios de uma vida marcada pela superação e orgulho de ser brasileiro. Natural de Niterói (RJ), 80 anos, 1,90 metro de altura e torcedor do Fluminense, Affonso Solano é ex-soldado da Polícia Especial (PE), criada em cinco de agosto de 1932 pelo ex-presidente Getúlio Vargas para atuar de forma repressiva e preventiva visando à manutenção da ordem pública e disciplina social. O lema “Um por todos, todos por um” fez história durante 28 anos e marcou presença na Revolução Constitucionalista de São Paulo, na Intentona Comunista de 1935 e em 1937 e no Movimento Integralista. Embora não se lembre com precisão ano e data de acontecimentos, Affonso Solano ainda registra na memória episódios marcantes. “A Polícia Especial foi extinta com a criação de Brasília e uma parte foi transferida para servir de base para criação da Polícia Federal”, lembra. A obediência às normas sociais e o pensamento de ordem e respeito aos superiores moviam as ações da Polícia Especial. O preparo técnico se aliava ao psicológico sempre que acionados para enfrentar situações que a Polícia comum não conseguia resolver. Composta de grupos ou esquadrões, os soldados detinham metralhadoras dos modelos Thompsom Swomi e Bergman. Os métodos desenvolvidos nas ações serviram de base para o Batalhão de Operações Especiais (Bope), tropa de choque da Polícia Militar que ganhou notoriedade por conta do filme “Tropa de Elite”. “Quando chegávamos ao local de desordem virava uma loucura, os manifestantes saíam correndo desesperados. Sabíamos manejar vários tipos de arma e até mesmo bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral. Éramos identificados pelas motocicletas com detalhes vermelhos”, relembra. O tempo o levou a sair da Polícia Especial, mas não desvinculou o sentimento de união dos soldados. Encontros anuais sempre no Rio de Janeiro servem para relembrar episódios marcantes da vida de cada um. “Todos os anos no dia 5 de agosto nos reunimos numa missa no Convento de Santo Antônio, que fica ao lado da antiga sede do quartel”.

Edição EDIÇÃO 16962




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