Primeira Página
Quarta-feira, 16 de Maio de 2007, 21h:15
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NOVO PRECEDENTE
Medida facilita privatizar dívidas
Secretaria do Tesouro Nacional tem autorização do presidente Lula para editar medida que viabiliza negociar dívidas públicas com instituições privadas
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) autorizou a Secretaria do Tesouro Nacional (STN) a editar medida que abre precedente para a negociação da dívida pública dos Estados junto a instituições financeiras privadas. A proposta foi reforçada pelo governador Blairo Maggi (PR) e, caso efetivada, acarretará a rolagem da amortização do passivo de 2027 para 2047. O assunto deverá ser tratado novamente com Lula hoje, durante audiência com Maggi em Brasília. O governador cumpre agenda nesta em Brasília. A reunião com o presidente está marcada para as 17h. O pleito embute a tentativa de vários Estados em encontrar mecanismos alternativos para ampliar o poder de investimentos ante parcelas da dívida pública que comprometem a receita anual. Segundo o secretário de Estado de Planejamento, Yênes Magalhães, o presidente se mostrou bastante receptivo à idéia de privatização. O assunto também foi discutido na tarde de ontem, durante reunião entre o governador, secretários e técnicos da STN. Essa medida é extremamente favorável ao governo federal porque ele receberá integralmente o valor da dívida e passa a ser avalista. Se os Estados não quitarem futuramente com os bancos, a União poderá descontar no FPE (Fundo de Participação dos Estados), analisa Magalhães. Uma segunda alternativa discutida com o presidente é o estabelecimento de um valor fixo da parcela anual destinada à União. Na prática, a medida significa desatrelar o quinhão do governo federal do desempenho da receita do Estado, relação que nos últimos anos vem impondo um ritmo de amortização bem maior que o previsto no pacto federativo firmado em 1997. O que sobrasse, neste caso, seria destinado para investimentos na área social. Essa margem não seria aplicada no custeio da máquina. Se for para isso, o próprio governador já manifestou que não quer. A dívida pública acrescida de juros exorbitantes sob a ótica do Estado faz com que, em média, fatia de 23% de toda a receita líquida anual seja reservada à amortização paulatina do passivo. A Secretaria de Fazenda (Sefaz) sustenta que esse é um dos maiores índices entre no contexto nacional. O bolo da dívida de Mato Grosso junto à União aumentou 18,2% desde dezembro de 2000, passando de R$ 4,379 bilhões para R$ 5,176 bilhões em janeiro de 2007, conforme dados do Banco Central. O volume coloca o Estado na 12ª posição no ranking nacional. Somente no ano passado, foram desembolsados R$ 661,5 milhões com parcelas da dívida. Desse volume, R$ 367,9 milhões foram despendidos ao pagamento de juros e encargos e mais R$ 293,6 milhões para a amortização da dívida fixada para o ano. O campeão nacional entre os Estados é São Paulo, com R$ 132,602 bilhões seguido por Minas Gerais, com um passivo de R$ 40,015 bilhões.