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Sábado, 02 de Outubro de 2010, 19h:24
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PERFIL II
Mauro Mendes: novo, nem tanto; inovador
A candidatura de Mauro Mendes, líder empresarial, permitiu que a eleição se tornasse um plebiscito entre dois grupos políticos de Mato Grosso
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Novo, nem tanto. O melhor título é inovador. Isso mesmo, Mauro Mendes despolariza a campanha ao governo criando novo cenário nesta eleição com a disputa travada por três candidatos quebrando o tabu que remonta a 1982, quando da redemocratização. Naquele pleito, o governista Júlio Campos derrotou o padre Raimundo Pombo. O troco oposicionista aconteceu quatro anos depois, com Carlos Bezerra batendo Frederico Campos. Com a mesma moeda a oposição elegeu Jayme Campos, que venceu Agripino Bonilha em 1990. Depois desse período começou ciclo polarizado das vitórias em primeiro turno, com Dante de Oliveira em 1994 contra o vice-governador Osvaldo Sobrinho e em 1998 contra Júlio Campos. Na virada do século a frente contrária a Dante elegeu Blairo Maggi em 2002 e o reelegeu, sendo que ambas as disputas foram com o senador Antero Paes de Barros. Empresário vitorioso, Mauro Ferreira Mendes, 46, vira a página da disputa plebiscitária e carrega para a vida pública o perfil que o faz líder empresarial na Federação das Indústrias (Fiemt) e na Confederação Nacional das Indústrias (CNI). A guinada de 180º na disputa pelo Paiaguás descortina novo horizonte político em Mato Grosso. Melhor para a democracia, impossível. Com a pulverização o eleitor tem maior opção. Mauro foi fundamental para essa mudança. Menino pobre nascido na zona rural de Anápolis, em Goiás, Mauro cresceu ao lado de seus oito irmãos carregando o sonho de vencer. Nas caminhadas para levar a marmita do pai que trabalhava ao cabo da enxada, seu olhar nunca permanecia fixo no trilho por onde passava; sempre que escutava os jatos da Força Aérea, que decolavam da base aérea não muito distante de sua casa, levantava os olhos, mirava o céu, via a fumaça das turbinas dos aviões e dava asas à imaginação. A família ficou em Goiás. Mauro embarcou no ônibus que o trouxe para Cuiabá. Garoto franzino e falante, mergulhou no movimento estudantil na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Orgulhoso no melhor sentido da palavra, revela que disputando o Diretório Central dos Estudantes sua chapa massacrou a concorrente, que tinha, entre outros nomes Wilson Santos, que disputa o governo nessa eleição. Obstinado, organizado e com boa pitada de sorte, após pegar o canudo de Engenharia Elétrica na UFMT, Mauro montou uma fábrica onde deu asas ao sonho de criança quando via a fumaça dos jatos. Com moderna gestão, sua empresa ganhou o mundo e lidera seu mercado no Brasil. Querendo ou não, em Mato Grosso empresário de porte cruza o caminho do poder. Com Mauro não foi diferente. Num desses encontros tornou-se amigo do governador Blairo Maggi (PR), filiou-se ao seu partido e, em 2008, disputou a prefeitura de Cuiabá em dois turnos. Bem ao seu estilo que não tem espaço para vacilo, Mauro trocou o PR pelo PSB e se lançou candidato ao governo. Para alguns no poder, seu gesto foi traição; para outros, não, porque entendem que toda unanimidade política é burra. Resumindo: nenhuma eleição ao governo em Mato Grosso pode abrir mão de candidato que represente o setor empresarial, como é o caso de Mauro, o goiano do sertão que venceu em Cuiabá, onde constituiu família ao lado de sua mulher cuiabana Virgínia, mãe de seus dois filhos e que esteve ao seu lado o tempo todo em sua andança sem-fim pelo Estado que quer governar em nome de seu sonho que ainda não chegou ao fim.