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Sábado, 19 de Abril de 2008, 16h:10

LUTO

Mato Grosso perde o visionário Vetoratto

Secretário extraordinário de Projetos Estratégicos, Clóves Vetoratto, faleceu na noite de sexta-feira em Cuiabá, vitimado por um câncer

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Foi sepultado na tarde de ontem, em Cuiabá, o corpo do secretário extraordinário de Projetos Estratégicos do Estado, Clóves Vettorato. Ele morreu na noite de sexta-feira, vítima de falência múltipla dos órgãos. Há quatro meses, Vettorato lutava contra o câncer que se alastrou pelos pulmões. Ligado ao segmento do agronegócio, a morte do secretário se dá após dois meses do falecimento do maior líder político do setor, o senador Jonas Pinheiro, morto no dia 19 de fevereiro. No adeus a Vettorato, ele é lembrado por integrantes do governo estadual e amigos como o grande idealizador de projetos de desenvolvimento econômico ao Estado. Para os mais próximos, ele era acima de tudo um visionário. Vettorato estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) cardiológica do Hospital Santa Rosa desde o dia 8 de abril diante do agravamento das condições de saúde imposto pelo severo quadro de câncer e o comprometimento do funcionamento dos pulmões. Boletim médico divulgado pelo hospital aponta que o secretário faleceu às 23h10 de sexta-feira, vítima de falência múltipla dos órgãos e neoplasia (câncer) nos pulmões. Vettorato pertencia aos quadros do governo Blairo Maggi desde o início da gestão, em 2003, e era considerado uma das pessoas mais próximas ao chefe de Estado. Mesmo diante da grave doença, ele não havia se desligado oficialmente da Secretaria de Projetos Estratégicos. Em evento realizado pelo governo na semana passada, Maggi quebrou os protocolos no discurso e pediu ao público presente que rezasse pela recuperação de Vettorato. Naquele momento, ele admitiu que o secretário caminhava para a morte, sem chances de reversão do quadro. O corpo de Vettorato foi velado na sede da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) desde o início da manhã e foi sepultado no cemitério Parque Bom Jesus, em Cuiabá. Familiares, amigos, representantes do setor rural e pessoas ligadas ao governo passaram pelo local. O governador chegou ao velório por volta das 11h. Ele se encontrava em agenda oficial no interior do Estado. Todos os detalhes do funeral teriam sido ditados pelo próprio Vettorato. Segundo pessoas próximas, ele teria encarado a doença sem reservas diante da família e amigos, à maneira prática como era conhecido o secretário. Detalhes do funeral chamaram a atenção ontem. De forma peculiar, ele teria orientado a familiares dias antes da morte que a bandeira do Internacional, seu time de futebol de coração, deveria taxativamente cobrir o caixão, ao lado das bandeiras do Brasil e de Mato Grosso. Outro detalhe peculiar foi a acomodação de jornais do dia sob a caixão. O terno e a gravata também já teriam sido escolhidos a dedo por ele. O sepultamento em Cuiabá também teria derivado da recomendação pessoal à família. Pessoas próximas chegam a relatar que Vettorato enfrentava com otimismo surpreendente o câncer, resultado direto do tabagismo. Ele fumava desde garoto. “Não fui eu quem largou o cigarro. Foi ele que me abandonou”, chegou a dizer. Nas últimas aparições públicas em vida, Vettorato estampava o semblante magro e abatido pela imposto pela doença.

Edição EDIÇÃO 16967




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