O diretório regional do DEM recebeu na tarde de ontem uma visita no mínimo inesperada diante dos militantes e da imprensa. Enquanto era realizada a reunião da cúpula do partido no Estado, circulava pelos corredores da sede da legenda a ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, denunciada pela Polícia Federal no rumoroso caso sanguessuga. A ex-servidora ganhou destaque na mídia nacional em abril de 2006, durante a Operação Sanguessuga, deflagrada pela Polícia Federal. Ao ser informado da presença de Penha no recinto, o senador Jayme Campos (DEM) mostrou surpresa e afirmou desconhecer o motivo da presença da ex-servidora no diretório dos Democratas. Campos disse ainda que Penha não é filiada ao partido. No entanto, a presença de Maria da Penha foi justificada por uma servidora do diretório estadual da sigla. Segundo a funcionária, Penha estaria no local apenas para conversar com uma amiga. Afirmou ainda a servidora dos Democratas que Maria da Penha não possui nenhuma ligação partidária com a legenda. Durante a Operação Sanguessuga, 54 pessoas tiveram a prisão preventiva decretada por suspeita de envolvimento com fraude na compra de ambulâncias para prefeituras de Mato Grosso e de outros estados. Somente na capital do Estado, foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão. No entanto, também houve prisões de envolvidos no esquema nos estados do Acre, Amapá, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Distrito Federal. Membros da família Trevisan Vedoin foram presos acusados de comandar a quadrilha que fraudava o sistema de saúde pública. Nesse cenário, a ex-servidora Maria da Penha Lino foi acusada de articular o lobby para garantir o andamento do esquema. Na sede do diretório regional do DEM, Penha evitou conversar com jornalistas.