Primeira Página
Segunda-feira, 14 de Maio de 2012, 21h:58
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VESPEIRO
Mais dois envolvidos prestam depoimento
Ambos confirmam cederem as contas bancárias, mas negam terem desviado o montante. Rombo pode chegar a R$ 18 milhões
RENATA NEVES
Da Reportagem
Apontado como um dos laranjas no esquema de desvio de recursos da Conta Única do governo do Estado, o auxiliar-administrativo Denis Hitoche de Deus admitiu ter cedido sua conta bancária ao servidor terceirizado afastado da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Edson Rodrigo Ferreira Gomes. Em troca, o amigo de infância o ajudava de forma esporádica com pequenas quantias em dinheiro utilizadas para pagar a mensalidade da sua faculdade. As informações foram prestadas na tarde de ontem (14), durante depoimento concedido à delegada Cleibe Aparecida de Paula. O advogado de Denis, Antônio Luiz de Deus Junior, disse que seu cliente cedeu as informações porque confiava em Edson, com quem possui amizade há cerca de 25 anos. Ele achava que o dinheiro era de pagamento de algum serviço extra que ele [Edson] fazia ou coisa do tipo. Além disso, ele perguntou várias vezes se isso não daria problema e o Edson sempre garantiu que não. Ressaltou ainda que a ajuda para pagamento da faculdade não foi estipulado como condição para a cessão da conta e que Denis só recorria a Edson quando estava sem dinheiro para quitar o débito. Ele ajudou com R$ 200, R$ 300, principalmente durante o período em que Denis estava desempregado. Na conta bancária de Denis foram movimentados R$ 64,3 mil, valor que, segundo seu advogado, foi depositado durante cerca de seis meses. O dinheiro caiu em pequenos valores. O auxiliar-administrativo também contou que acompanhou Edson para sacar os valores em algumas oportunidades, mas garantiu que todo o montante era repassado a ele. Após prestar depoimento, ele foi liberado. Também se apresentou ontem o empresário Djalma Moura da Silva, em cuja conta foram movimentados R$ 9,9 mil. Seu advogado, Luiz Carlos Lopes, afirmou que Djalma procurou a Delegacia Fazendária (Defaz) em março, dois meses antes da deflagração da operação Vespeiro, e colocou seus sigilos bancários, telefônico e fiscal à disposição da polícia. Logo que foi divulgada a lista de pessoas envolvidas no esquema, ele procurou a polícia para prestar esclarecimentos, mas a delegada Cleibe Aparecida de Paula informou que não poderia colher seu depoimento porque não havia nenhum procedimento instaurado. Em depoimento, o empresário informou que suas informações bancárias foram fornecidas pelo seu então funcionário, Jamerson de Araújo Kestring, ao servidor terceirizado afastado da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) Glaucyo Fabian Oliveira Nascimento Ota, de quem é amigo de infância. Meu cliente foi incluído no esquema à sua revelia. À polícia, Djalma apresentou cópias de seu extrato bancário, em que o montante depositado aparece classificado como recebimentos diversos. Não havia nada que identificasse que o depósito foi feito pela Secretaria de Fazenda. Como é empresário e costuma movimentar grandes quantias de dinheiro, ele não desconfiou de nada. Só veio a saber do esquema quando seu nome foi divulgado, justificou seu advogado. Assim que soube do fato, o empresário demitiu o funcionário. Porém, afirmou que o mesmo passou as informações por ingenuidade, já que confiava no amigo. Após ser ouvido, ele também foi liberado. Em depoimento prestado na semana passada, Jamerson garantiu que seu ex-patrão não tinha conhecimento e nenhuma participação na fraude. Disse ainda que ele teria apenas consentido que o depósito fosse feito em sua conta por Glaucyo, mas não possuía nenhum vínculo com o servidor.