Primeira Página
Segunda-feira, 19 de Maio de 2008, 22h:44
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DESMATE
Maggi recorre a ministro sobre punições
Governador aproveitou visita do ministro Reinhold Stephanes para reverter restrições aos proprietários que não têm licença ambiental
NOELMA OLIVEIRA
Da Reportagem
O governador Blairo Maggi (PR) recorreu ontem ao ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, para reverter às restrições impostas pelo governo Federal que impede o acesso ao crédito rural em propriedades que não tenham a licença ambiental a partir do dia 1º de julho. Maggi reiterou o discurso de que Mato Grosso sofre preconceito com a questão do desmatamento. Foram relatados números do desmate nos últimos 20 anos no Estado. Reinhold Stephanes assinou ontem com o governo o protocolo para a instalação do Comitê Gestor Estadual do Programa Territórios da Cidadania, que abrange ações de 18 ministérios e previsão de recursos na ordem de R$ 438,9 milhões para o Estado. Parte deste montante já está em execução. Quero pedir o apoio e a determinação do ministro para reduzir as restrições na área da Amazônia Legal e principalmente a Mato Grosso. Nós não discordamos da meta do governo Federal. O Estado não deveria ser criticado, mas sim elogiado por reduzir o desmatamento, disse Maggi. O caso é mais grave. Tem municípios que foram inseridos na resolução do governo Federal que tem apenas 4% do município inserido na Amazônia e 96% no Cerrado. A portaria considerou municípios que têm 20%, 50%, a questão é efetivamente grave, ponderou o ministro, após o longo discurso do governador. Maggi disse que o ministro conhece a realidade do setor produtivo e pediu para ele ser mais enfático nesta questão. Como se trata de um preconceito, demora retirar, sustentou o chefe do Executivo. De 1988 a 2008, os anos de 90 a 92 foram os que registraram desmatamento superior a seis mil quilômetros quadrados. Há dois anos o desmatamento está abaixo de três mil quilômetros quadrados, melhor momento da história de Mato Grosso, relatou. Ainda com base neste diagnóstico, o governador contou que nestas duas décadas foram desmatados 128 mil quilômetros quadrados, ou seja, 14% de todo o território mato-grossense. Segundo ele, este número é menor do que foi desmatado antes de 1988. O Estado não poderia ser sacrificado. Não concordo com a restrição aos 19 municípios de Mato Grosso que estão entre os 36 com maior índice de desmatamento inseridos na Amazônia Legal. Maggi jura que os números são decrescentes. Ele também promete adequar a situação nestes municípios. Inicialmente fui criticado pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e já enfrento preconceito do futuro titular da Pasta (deputado Carlos Minc), contextualizou. Não se pode aceitar esta situação, avisa. Ele citou como exemplo áreas no município de Vila Bela da Santíssima Trindade, primeira capital de Mato Grosso, onde foram abertas há anos e que agora entra no levantamento do governo Federal. Maggi também pediu apoio à bancada federal, no ato representado pelos deputados Eliene Lima (PP) e Carlos Bezerra (PMDB), especialmente deste último que, segundo ele, goza de bom privilégio na grande bancada peemedebista para assumir a questão, como uma defesa do Estado.