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Segunda-feira, 09 de Junho de 2008, 21h:24
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MEIO AMBIENTE
Maggi critica ingerência na Amazônia
Ontem, em Washington, o governador Blairo Maggi apontou que muitas pessoas falam da Amazônia sem conhecer a floresta
KEITY ROMA
De Washington - EUA
Ciente de que o discurso que fará hoje no Katoomba Global Meeting, que começou ontem em Washington (EUA), não será o bastante para o livrar da nuvem escura das pressões ambientais que o acompanham, o governador Blairo Maggi afirmou que cooperar com iniciativas em prol do mercado de carbono pode ser uma ferramenta para reduzir o alarde mundial sobre a questão. Apesar de tudo, todos sabemos que é preciso mais do que palavras. Somente na conversa nada vai mudar. Embora haja o interesse, quando se fala de colocar a mão no bolso tudo se torna mais difícil. Então também não quero criar expectativas nos produtores, disse. Maggi criticou a falta de sintonia entre as esferas federal e estadual brasileiras na ação ambiental, e disse que os discursos mundo afora sobre a devastação da Amazônia ainda são carentes de conhecimento. Primeiro as pessoas tinham que ter noção do que é a floresta antes de falar. Aqui fora eles falam da Amazônia como se fosse uma ilha, uma área pequena, mas na verdade é 68% do território brasileiro, afirmou. Ontem ele atendeu jornalistas da imprensa internacional e explicou como funciona a produção agrícola em Mato Grosso e as dificuldades ambientais no controle do desmatamento. Semanas atrás o jornal The New York Times cogitou a possibilidade de uma intervenção internacional na área e ressuscitou uma antiga polêmica sobre a soberania do governo brasileiro sobre a floresta. Na prática ainda são pequenos os prejuízos causados pela imagem de destruidor que o Estado tem perante o mundo, mas não deixam de incomodar. E fácil impedir o desenvolvimento alheio, mas ninguém abre mão de se desenvolver. O que eles querem é achar um culpado para a situação, mas não sou eu. Respondo pelo Estado de Mato Grosso e não por toda a floresta. Não tenho uma carta de poderes dos outros governadores, e nem quero. Para ele, a falta de flexibilidade nas discussões impede a abertura de novas áreas mato-grossenses passíveis de serem utilizadas na agricultura e na pecuária. Existem áreas que podem ser abertas, mas quem vai fazer isso: ninguém discute o assunto. O mundo acha que está errado, então o que acontece é que durante 30 anos todos comeram muito barato e isso vai começar a mudar, pois não se tem área para expandir a plantação. Esse e o preço, frisou. Maggi pontuou que é fundamental uma revisão na Medida Provisória que estabelece que 80% da propriedade rural no bioma florestal precisam ser mantidos intactos. Há anos funcionava assim. Isso foi modificado sem uma discussão pertinente e hoje essa discussão se faz necessária. Está na hora de resolver esse assunto. Questionado sobre a divergência nos recentes números do desmatamento, ele afirmou que já há uma equipe da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) em campo fazendo a fiscalização in loco. Maggi deixou clara a insatisfação com o descompasso com o governo federal, mas disse que as desavenças com o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foram sanadas. Conversei com o ministro pessoalmente e por telefone e o convidei para ir a Mato Grosso, pois ele precisa conhecer. A visita deverá acontecer em julho. Entre nos dois está tudo resolvido. Porém Maggi disse não esperar uma postura mais amena do ministro do que mantinha a ex-responsável pela pasta, Marina Silva. Ele não deve relaxar. O que queremos é apenas um ajuste do que vem sendo feito, pois não há um protocolo de responsabilidades bem divididas sobre a Amazônia e isso emperra as ações. Para finalizar a tarde, Maggi compareceu acompanhado da primeira dama, Terezinha Maggi, ao Museu Nacional de Historia Natural, onde o evento está sendo realizado, para fazer o primeiro contato com os organizadores. Ele falará sobre um assunto ainda incipiente, O Futuro do Carbono, mas que como ele afirmou, pode ser uma saída para amenizar as tensões ambientais. O programa funcionaria com a concessão de benefícios, principalmente financeiros, a produtores rurais que mantivessem em pé áreas que poderiam ser derrubadas legalmente. Katoomba Global Meeting 2008 - Blairo Maggi viajou sexta-feira para Washington exclusivamente para participar do encontro. Essa e a 12ª edição do Katoomba, que reúne representantes de várias entidades de todo o mundo para discutir alternativas de desenvolvimento sustentável. As principais ongs do planeta participam das discussões, como por exemplo, The Nature Conservancy, Greenpeace e WWF. O evento é realizado pelo Katoomba Group e Forest Trend, ambos atuantes na área ambiental com o desenvolvimento e projetos de sustentabilidade.