NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

Primeira Página
Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 22h:03

MEIO AMBIENTE

Maggi cobra linha especial de crédito

Governador Blairo Maggi participou ontem de audiência na Câmara Federal para discutir as questões ambientais da Amazônia Legal

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Casamento da pecuária com a agricultura. Essa foi a principal proposta apresentada pelo governador Blairo Maggi aos deputados da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara Federal, que o ouviram ontem, em audiência, e ao seu colega de Rondônia, Ivo Cassol, sobre desmatamento na Amazônia. Em Brasília, Maggi traçou em linhas gerais o embrião daquela que no seu entendimento seria “uma justa política para o setor produtivo”. Em suma o governador sugeriu aos deputados que assumam a bandeira de uma linha especial de crédito de longo prazo para financiar lavouras em áreas de pastagem total ou parcialmente degradadas, o que evitaria a pressão ambiental sobre a Amazônia. A proposta aos deputados é o começo do afunilamento de um projeto idealizado por Maggi e revelado em Cuiabá, no dia 30 de maio, durante o 5º Encontro Internacional dos Negócios da Pecuária (Enipec). Não há números definitivos, mas o governo acredita que 80% da pastagem mato-grossense são total ou parcialmente degradadas, num universo de invernadas de aproximadamente 28 milhões de hectares. Ou seja, 22 milhões têm algum tipo de comprometimento. Maggi quer transformar a pastagem degradada em lavoura. Porém faltam recursos aos pecuaristas para tanto. A estrutura das fazendas de pecuária é bem diferente das propriedades agrícolas. Equipá-las com máquinas, tratores, implementos e a contratação de mão-de-obra especializada exige investimentos. “Precisos de linha de crédito para isso”, argumenta o governador. A migração da lavoura para a pecuária não prejudica o desempenho da segunda. Ao contrário, a fortalece. Parte do gado das propriedades transformadas em agropecuárias pode ser mantida em confinamentos e parte pode aproveitar a soca das lavouras. O setor produtivo vê essa proposta como “bom casamento”. Para Maggi, que defende a tese de que todo pecuarista tem que ser “um pouco” agricultor, a convergência econômica das duas atividades “é a simbiose para impedir novos desmatamentos no futuro”. Na esfera do agronegócio, tudo em Mato Grosso é macro. Qualquer medida positiva pode se tornar de grande alcance. O mesmo acontece em sentido contrário. O rebanho bovino é de 26 milhões, com quase 500 mil cabeças em confinamento. A agricultura é líder nacional em soja e algodão. Milho safrinha e arroz são destaques. A safra da soja, que acaba de ser colhida impressiona: 17,5 milhões de toneladas cultivadas numa área de 6,8 milhões de hectares. Se a soja e suas lavouras de rotação de cultura migrar para o campo, sem prejuízo das atuais áreas cultivadas, o agronegócio mato-grossense promoverá uma revolução jamais vista na produção de alimentos, acrescentando anualmente à safra atual mais de 60 milhões de toneladas de grãos nas gôndolas dos supermercados mundo afora sem avançar um hectare sobre a floresta ou o cerrado. A proposta do governador é compartilhada pela bancada ruralista na Câmara. O deputado Homero Pereira (PR) entende que a mesma é um divisor de águas. Maggi espera a visita do ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc, a Mato Grosso. Quer mostrá-lo que ao invés de divergência em discurso o melhor caminho é a convergência para maior produção sem abertura de novas áreas.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL