NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

Primeira Página
Segunda-feira, 21 de Maio de 2007, 21h:18

Ligações, imagens e campana produziram provas

Gravações telefônicas, imagens de câmaras de segurança de um hotel de luxo em Brasília e um trabalho de campana eficiente conseguiram levantar provas concretas contra o prefeito Nilson Leitão e seu ex-secretário Jair Pessine. Toda a movimentação aconteceu entre os dias 20 e 21 de março deste ano. Segundo relatório da PF, em 20 de março, um dia após a assinatura do contrato entre a prefeitura de Sinop e a construtora Gautama, houve uma intensa movimentação do grupo de Zuleido Veras a fim de fazer o pagamento de R$ 200 mil a Pessine. O repasse aconteceu na noite seguinte, no escritório da Gautama em Brasília. No dia 20, os investigadores haviam captado um diálogo entre Zuleido Veras e Gil Jacó Santos, diretor financeiro da construtora Gautama. “Gil, amanhã passa duzentos para Brasília, tá?”, disse Zuleido. Após a resposta de Gil, ele prossegue: “Esses duzentos é (sic) para aquele compromisso que eu tenho de Sinop”. Na tarde do dia seguinte, Florêncio Brito Vieira, funcionário do departamento financeiro da Gautama, sacou R$ 440 mil da agência da Caixa Econômica Federal em Salvador, onde fica a sede da construtora. Segundo a PF, R$ 200 mil seriam destinados às autoridades de Sinop. O restante era para pagar Alexandre e Paulo Lago, sobrinhos do governador do Maranhão Jackson Lago, envolvidos em outra obra fraudada. Os policiais acompanharam todos os passos de Florêncio no dia 21. Ele foi seguido desde a ida ao banco na capital baiana até o embarque para Brasília. Outra equipe ficou encarregada de acompanhar Jair Pessine na Capital Federal, onde ele deveria pegar o dinheiro das mãos de Tereza Freire Lima, secretária do escritório da Gautama. Às 13h52 do dia 21, Zuleido fala novamente ao telefone com Gil Jacó e diz a ele que fará o negócio com Jair [Pessine] naquela noite. Mais tarde, uma equipe da PF ficou de prontidão em frente à Caixa em Salvador, acompanhando os passos de Florêncio Vieira. Os policiais sabiam que ele iria à agencia, mas temiam que saísse por uma porta alternativa, longe do campo de visão. Por volta das 18h20, já sabendo que o vôo de Florêncio para Brasília sairia às 19h10, os policiais resolveram deixar a campana do banco. Seguiram, então, para o aeroporto Luiz Eduardo Magalhães. Lá, viram Florêncio em atitude suspeita, com uma maleta cheia, da qual não se separou em nenhum minuto. “Mesmo na sala de embarque, Florêncio estava com um semblante tenso e bem concentrado”, diz trecho do relatório. Seu vôo saiu para Brasília sem atraso. Na noite do dia 21, uma outra equipe acompanhava os passos de Jair Pessine no hotel Grand Bittar, em Brasília, onde Nilson Leitão também estava hospedado. O ex-secretário de Sinop esteve no lobby do hotel até as 21h35, quando subiu para o quarto, descendo cinco minutos mais tarde com uma pasta na mão, aparentando ansiedade e sempre falando ao telefone. Até as 21h45, ele foi do lobby para a frente do hotel várias vezes, segundo a PF. Em seguida, saiu em um táxi Pálio Weekend cinza, que o levou em direção ao edifício Embassy Tower, onde funciona o escritório da Gautama em Brasília. Cinco minutos depois, desceu com uma sacola escura nas mãos, voltando para o táxi. Por volta das 22h05, Pessine retornou ao hotel Grand Bittar acompanhado de uma pessoa que chegara minutos antes em um veículo Focus preto. Pessine carregava nas mãos a pasta e a sacola escura. Entraram no elevador. Cinco minutos mais tarde, os dois saíram no veículo em direção ao aeroporto de Brasília. Paralelo a estes acontecimentos, Nilson Leitão também se movimentava. O prefeito foi visto, naquela mesma noite, reunido com Zuleido Veras na sala de ginástica do hotel Naoum, onde o dono da Gautama estava hospedado. O encontro foi registrado pelas câmeras do circuito interno do hotel. Leitão chegou ao Naoum por volta das 21h05, em um Pálio Weekend vermelho, indo direto para a sala de ginástica, onde estava Zuleido. Dez minutos mais tarde, ambos deixaram a sala – Zuleido foi para seu quarto e Leitão saiu em direção ao aeroporto. Exatamente às 21h56, Tereza Lima, a secretária da Gautama, telefonou para o patrão. “Está tudo resolvido”, disse. Jair Pessine acabara de deixar a empresa em direção ao aeroporto, onde pegaria o avião para Cuiabá. No mesmo vôo estava Nilson Leitão.

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL