Primeira Página
Sábado, 01 de Outubro de 2011, 11h:22
A
A
ENTREVISTA
Líder estima 80 candidaturas a prefeito
O novo PSD, em Mato Grosso, é considerado um gigante e deve encabeçar a disputa majoritária em mais da metade dos municípios
HUMBERTO FREDERICO
Da Reportagem
Aliviado depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializou o registro do Partido Social Democrata (PSD), o presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, intensificou as filiações à nova sigla em Mato Grosso, que deverá contar com mais de 50 prefeitos, três centenas de vereadores, quatro deputados estaduais, três deputados federais e o vice-governador, Chico Daltro. Além deles, o PSD vai contar com filiações de empresários e produtores rurais, como a do presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, e do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), Paulo Gasparotto. Pela primeira vez, Riva admitiu que a relação dele com o Secretário Estadual de Saúde e deputado federal licenciado, Pedro Henry, ficou estremecida. Henry é presidente regional do PP, sigla que mais vai perder filiados com a debandada. O parlamentar também revelou que a demora para a oficialização do registro do PSD causou temor em algumas pessoas que pretendiam se filiar, mas ressaltou que sempre esteve confiante na criação da nova sigla. Segundo Riva, até o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, deputado federal licenciado Eliene Lima, teria temido a fundação do partido. O presidente da Assembleia Legislativa acredita que o PSD terá ao menos 80 candidatos a prefeito e afirma que não disputa mais um novo mandato de deputado estadual. Diário de Cuiabá - Como o PSD de Mato Grosso está se preparando para as filiações após o Tribunal Superior Eleitoral ter validado o registro do Partido Social Democrata (PSD)? José Riva - Na verdade começamos o processo de fundação quando fizemos a comissão provisória estadual, da qual eu sou presidente, e em seguida nomeei as 141 comissões provisórias nas cidades de Mato Grosso. Foi um fato inédito conseguir atingir todos os municípios de Mato Grosso em apenas 30 dias. Algumas dessas comissões já se transformaram em diretórios municipais que, inclusive, nos possibilitou a criação do diretório estadual, onde temos o vice-governador Chico Daltro como presidente, e eu como secretário-geral. Com o registro deferido, nós já estamos habilitados a começar a colher as filiações. Naturalmente há um processo que tem que ser percorrido, onde a senha para a Executiva Nacional tem que ser enviada, depois concedida para o diretório estadual e aí o diretório concede a senha para os 141 municípios concluir as filiações. Vamos iniciar este processo imediatamente, temos dez encontros já programados com o objetivo de levar orientação aos diretórios com as provisórias de como se proceder com as filiações. Diário - Qual o número de pessoas com mandatos eletivos que vão se filiar ao PSD? Riva - Não é fácil hoje se afirmar, especialmente vereadores. Em relação aos prefeitos, chegamos ao número de 51, que vão filiar ao partido. Vereadores eu calculo que ficaremos entre 300, 350. Já estava catalogado em torno de 350, mas esse número pode ser um pouco menos, um pouco mais, pois alguns acabam sendo convencidos de ficarem nos respectivos partidos. De repente outros podem vir, mas se este número oscilar, será muito pouco. Em termos de deputado, temos quatro confirmados: eu, Walter Rabello, Airton Português e Luizinho Magalhães. E temos dois deputados que estão em processo de decisão. Diário - Quem são? Riva - Não posso divulgar agora até por uma questão de estratégia. Fiquei de conversar com eles e ainda não foi possível devido ao aperto tanto da minha agenda quanto a da deles, mas vamos conversar. Deputado federal, temos dois titulares, Eliene Lima e Homero Pereira, e dois suplentes em exercício de mandato, Neri Geller e Roberto Dorner. Portanto temos em exercício de mandato hoje três federais, Eliene está em Secretaria do Estado (Ciências e Tecnologia), mas Homero, Geller e Dorner estão no exercício de mandato. O que mais me surpreendeu não foi nem a decisão dos políticos em aderir ao PSD, mas do empresariado. Conseguimos boas adesões entre produtores, inclusive a presença do presidente da Famato, Rui Prado, do presidente da CDL Cuiabá, Paulo Gasparotto, que é uma das lideranças que estão conosco, vários empresários ligados à Fiemt, então acredito que o PSD terá uma base muito boa para disputar as eleições municipais de 2012. Diário - O senhor rejeitou a filiação de algum prefeito? Riva - Eu não diria rejeitar, eu fui obrigado pelas circunstâncias do local. Por exemplo, em Itanhangá, eu sou muito amigo do prefeito Vanderley Proenço, mas eu tenho um grupo político muito sólido que me apoiou lá. E quando ele quis vir para o partido, eu disse que não seria possível. Em Rondolândia, o prefeito (Bertilho Buss) veio conversar conosco e disse que queria deixar o PSDB e vir para o partido, mas não adianta querer impor. Se o grupo não tem boa convivência, não é bom ficar com o grupo rachado, é melhor ficar com um partido menor, mas com unidade. Diário - O PP deverá ser o partido que mais sofrerá baixas no Estado com a criação do PSD. Como está a relação do senhor com o presidente regional da sigla, secretário de Saúde e deputado federal licenciado Pedro Henry? Riva - É natural que com a saída deste nosso grupo do PP fica um ressentimento, isso é muito natural, mas não da minha parte. Eu fui muito transparente com o Henry, fui à sala dele na Secretaria de Saúde e comuniquei que iria buscar um entendimento com o prefeito (Gilberto) Kassab, e havendo este entendimento eu iria fundar o PSD no Estado. Ele, no início, disse que não era contra, que era favorável, entendia que tínhamos que buscar nosso espaço que, talvez, em um novo partido com mais autonomia para lutar politicamente pudesse me ajudar. Mas depois, naturalmente, com a saída de muitos filiados, acabou provocando certo ressentimento por parte daqueles que vão ficar no PP. Eu tenho conversado muito com o deputado Ezequiel (Fonseca) e dito a ele que em nenhum momento temos interesse em nos distanciar do Pedro Henry, que é uma liderança expressiva no Estado. Diário - Falou-se muito que o senhor não teria espaço dentro do PP para decisões importantes e isso o teria levado a criar o PSD. Qual foi o real motivo para a sua decisão? Riva - Vou ser sincero e transparente nesta resposta. Ao longo dos anos eu fui construindo um grupo político que ficou espalhado em muitos partidos. E quando surgiu a possibilidade de fundar um partido e levar todo mundo para ele sem o risco de se perder mandato, eu sabia que não teria outra oportunidade. Então a ida para o PSD não é nenhum descontentamento com o PP, não é falta de espaço. O deputado Pedro Henry sempre me oportunizou todo espaço que eu pedi. Era na verdade uma possibilidade que não teria em outro partido de agregar todos os companheiros no PSD. Diário - Diante da demora da oficialização do partido, em algum momento o senhor temeu pela sua fundação depois de ter feito até convenção em Cuiabá? Riva - Por incrível que pareça não, porque eu estava sempre muito bem informado, eu falava com Kassab uma ou duas vezes por dia. Ele ficou 24 horas no ar para fundar este partido e eu estava sempre bem informado, confiante, tanto é que a maioria dos companheiros, depois do dia 20, pediram para que eu estudasse um plano B. Eu falei que não faria isso e disse que confiava na fundação do partido. O próprio Eliene, em determinado momento, me disse que tinha muita dúvida e preocupação e eu falei para ficar tranqüilo. Tanto é que para mim não foi novidade nenhuma o registro, lógico que você fica angustiado por causa do prazo muito em cima para filiar. Eu temia que houvesse um novo pedido de vista e a decisão fosse postergada para o dia 5, aí teríamos que desfiliar todo mundo para depois filiar, aí ficaria muito em cima. Mas nunca tive nenhum temor do partido não ser criado. Diário - Quantos candidatos o PSD pretende lançar nas disputas das prefeituras municipais em 2012? Riva - Eu acho muito difícil precisar o número de candidatos, pois os pré-candidatos hoje não serão na época, mas eu arrisco dizer que o PSD não terá menos de 80 candidatos porque de 70 a 80 é o considerável, levando-se em conta que muitos vão à reeleição, que outros já se reelegeram em 2008, mas trazem agora junto com eles candidatos. E na maioria dos municípios que não temos prefeitos, hoje temos pré-candidatos. Lógico que pode oscilar um pouco mais, um pouco menos e nós não podemos descartar alianças. Diário - O partido será da base aliada do governador Silval Barbosa (PMDB)? Riva - Sem dúvida, vamos estar engajados na governabilidade, dentro daquele critério de fazer o contraponto necessário para o bem de Mato Grosso, assim como devemos fazer alertas quando julgarmos necessários, pois não se trata de apoiar o Silval Barbosa, se trata de apoiar o Estado. Eu sou amigo pessoal do governador, tenho compromisso com o Estado, com ele, mas lógico que dentro de uma premissa, dentro do Estado antes de tudo. E acho que um parlamento subserviente deixa a sociedade de calças na mão. Então temos que ouvir as vozes da rua e tentar fazer os alertas. Diário - O PSD pretende entregar os cargos de filiados ao governador Silval Barbosa? Riva - Não sei, por mim, devolveríamos os cargos para deixar o governador a vontade. Caso ele insista em querer um deputado nosso no staff, vamos apoiar, mas devemos no mínimo deixar ele a vontade para tomar a decisão. Diário - Qual o futuro político o senhor enxerga hoje para o PSD em Cuiabá? Riva - Primeiro vamos nos posicionar para construir uma chapa proporcional muito forte, porque eu entendo que a base de um partido são os vereadores e deputados estaduais. Com certeza teremos uma boa chapa de vereador. Um partido com boa base proporcional, ou surge um bom candidato para prefeito, ou faz uma boa aliança, então não podemos desprezar uma aliança. Vamos continuar montando chapa proporcional forte. Diário Em Cuiabá, esse nome poderia ser o ex-prefeito Roberto França? Riva - Eu nem consegui falar com ele, seria bem vindo ao partido, mas é difícil falar de alguém que ainda não está comprometido a filiar, eu prefiro aguardar e falar das pessoas filiadas ao partido. Diário - O senhor rejeitou no PSD dois vereadores por Cuiabá, Totó César e Néviton Fagundes, ambos do PRTB. Por quê? Riva - Na verdade não rejeitei, vou ser sincero. O partido está sendo construído em cima de algumas bases e os filiados que estão vindo foram ouvidos. E a maioria deles entendeu que os dois não tinham perfil para entrar neste quadro. Eu não entro no mérito de discussão deles, mas foi o que a maioria decidiu e o partido, quando toma decisão sobre apoio a algum prefeito ou filiação, nós queremos que os filiados acompanhem a decisão e os diretórios municipais terão autonomia para este tipo de discussão. Diário - Essa realmente é a última legislatura do senhor? Riva - Ah, sim. Eu sou um cidadão que gosta de levantar cedo e se dedicar no que faz. Tanto é que eu dediquei todas as minhas atividades particulares, fui obrigado a colocar pessoas no meu lugar e me dedicar por inteiro onde estou. Quando eu achasse que eu não teria mais condição de me dedicar 100%, não seria justo fazer pela metade o que faço por inteiro. E desde o dia que cheguei na Assembleia, ninguém pode me condenar por omissão ou ausência. Eu sempre estive muito presente, em todos os aspectos, e eu sinto que não terei mais condições de estar 100% à disposição do parlamento. Acho que já dei a contribuição e decidi que deputado estadual não serei mais e que vou pensar muito em uma nova eleição. Se fosse hoje, eu diria a você que não disputaria. Diário - Se o senhor resolver continuar na política, seria candidato a deputado federal, senador ou governador do Estado? Riva - Algo que me atrai muito é uma disputa ao Senado. Diário - Toda eleição o senhor se coloca como pré-candidato e recua na hora, por quê? Riva É. Eu não me vejo como deputado federal, pois ou você faz carreira neste cargo ou passa despercebido quatro anos por lá. O Senado seria uma boa. Todas as minhas pretensões foram tolhidas, hora porque o PSDB não me deu condição de disputar, depois porque não achava que tinha condição para uma disputa majoritária. Os motivos são políticos, jurídicos, financeiros, vários aspectos. E o conjunto não me era favorável na última disputa. Diário - O senhor falou de família, e uma das suas filhas tem militado ao lado do senhor. Ela já demonstrou vontade de uma possível candidatura? Riva - A Janaína é a mais política da casa, se tiver um sucessor meu na Assembleia deve ser ela. Ela realmente é política, tem interesse, vinha aqui na Assembleia Legislativa me ajudar, ficava todo o dia aqui para me assessorar. Os outros filhos nunca tiveram vocação. A Janaína até pode querer, eu a apoiaria, pois seria ótima parlamentar, extremamente dedicada e tem o meu perfil.