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Primeira Página
Quinta-feira, 05 de Agosto de 2010, 20h:43

Justiça cassa mandato de Ivan Evangelista

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O vereador de Cuiabá Ivan Evangelista (PPS) teve o mandato cassado por compra de votos durante a campanha eleitoral de 2008, quando buscava a reeleição. Segundo a decisão da juíza Ana Crista Silva Mendes, da 55ª zona eleitoral da capital, o vereador usou a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes Urbanos (SMTU) para “negociação de cargos”, inclusive ameaçando os estagiários que não declaravam voto a ele. Como se trata de uma decisão de primeira instância, ainda cabe recurso do vereador. Ele disse que certamente irá recorrer, pois as denúncias não são verdadeiras. A denúncia inicial contra o vereador chegou à Justiça Eleitoral por meio da Ouvidoria do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), que a encaminhou para o Ministério Público. Conforme o processo, Ivan Evangelista colocou uma pessoa de sua confiança, identificada como o líder comunitário Wellington de Oliveira Santos, para atuar dentro da Secretaria como seu coordenador de campanha. Para tanto, ele se valeu da influência que tinha com o então secretário da SMTU, Elismar Bezerra. Wellington de Oliveira Santos teria atuado na SMTU por 15 dias sem remuneração e contratação oficial, ameaçando os estagiários que não declaravam voto favorável a Ivan Evangelista, e abordando os demais na tentativa de convencê-los a realizar reuniões com suas famílias para apresentar o vereador. A estagiária autora da denúncia à Ouvidoria declarou ter sido assediada por Wellington, que mandou que ela transferisse o título de eleitor para Cuiabá como condição para continuar no cargo. O depoimento dela foi reforçado por declarações de outras três estagiárias, que confirmaram as denúncias. Uma delas relatou que, ao ser abordada por Wellington Santos, disse que não votaria em Ivan Evangelista. Wellington teria ficado nervoso e disse que não tinha poder para demissão, mas que tinha meios para tanto dentro do órgão. Ainda de acordo com informações do processo, Ivan Evangelista teria substituído estagiários da SMTU que não concordavam em votar nele e colocado apenas pessoas ligadas ao PPS, partido do qual, inclusive, é presidente municipal. A juíza eleitoral escreveu que “diante do teor das declarações, o promotor José Antônio Borges Pereira concluiu que Wellington de Oliveira Santos estava a serviço do candidato Ivan Evangelista na SMTU, com autorização da direção do órgão, para captar votos mediante ameaças e ofertas de emprego, o que configura infração eleitoral”. E ainda completa: “resta claro, portanto, que a Secretaria Municipal de Transportes Urbanos era lugar de ‘negociação’ de cargos públicos para pessoas que estavam ligadas ao PPS e ao representado, o que, infelizmente, acarreta prejuízos à administração pública por colocar pessoas desqualificadas para o cargo, atendendo apenas anseios políticos".

Edição EDIÇÃO 16962




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