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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010, 20h:45

REFORMA

Juristas esperam que novo Código agilize cassação

Anteprojeto para novo Código Eleitoral está sendo discutido em audiência públicas para receber sugestões ao texto em tramitação no Senado Federal

JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Cuiabá foi uma das nove cidades escolhidas para sediar uma audiência pública, convocada pelo presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB), para debater o anteprojeto do novo Código Eleitoral que está tramitando no Congresso Nacional. A audiência que reforça o debate por uma ampla reforma política aconteceu ontem, no Ministério Público Estadual (MPE), e contou com a participação do presidente do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Walter de Almeida Guilherme; do advogado-geral do Senado Federal, Luiz Fernando Bandeirade Mello Filho; do juiz federal do Maranhão, Roberto Carvalho Veloso; e os advogados eleitorais José Rollemberg Leite Neto e Geraldo Agosti Filho. O ponto mais abordado na audiência diz respeito à morosidade na tramitação dos processos eleitorais que acabam criando um ambiente de instabilidade jurídica nas eleições. “Não podemos continuar com a situação que permite cassação de mandatos de candidatos que cumpriram mais de 75% do mandato”, disse o presidente do TRE de São Paulo. Ele defende que a consulta pública irá contribuir para a elaboração de uma proposta de norma atualizada do sistema eleitoral do país. O procurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), desembargador Rui Ramos, o juiz federal Julier Sebastião da Silva, o defensor-público-geral Djalma Sabo Mendes, o presidente do conselho federal da OAB/MT, Francisco Faiad, advogados e estudantes se juntaram à discussão. Outra proposta que surgiu ao longo das audiências realizadas pretende impedir que candidatos barrados pela Lei da Ficha Limpa disputem o pleito, mesmo que estejam aguardando decisão das instâncias superiores. A proposta impediria a candidatura de políticos como o deputado federal Pedro Henry (PP), que concorreu nesta eleição, conquistou votos suficientes para se reeleger e pode ter os votos anulados. Também foram discutidos temas como financiamento de campanha, debates políticos, pesquisas de intenção de votos e outra questão polêmica: a realização de novas eleições nos casos em que o segundo colocado assumiria o cargo em virtude da nulidade dos votos do candidato eleito. “Nos debates há um excesso de regras que deixa a discussão engessada. Essa matéria também vem sendo debatida”, opinou o juiz Roberto Carvalho Veloso, sobre as regras para os debates. O desembargador Rui Ramos afirmou que a audiência foi uma boa oportunidade para debater situações que se repetem nos estados e que podem resultar em mudanças na legislação. O magistrado sugeriu antecipação das convenções partidárias e medidas que impulsionem o julgamento de determinados crimes eleitorais. A comissão de juristas encarregada de elaborar um novo Código Eleitoral pretende encaminhar as propostas ao Senado até o dia seis de dezembro. As eventuais alterações na legislação, no entanto, devem entrar em vigor somente na eleição de 2014. O grupo é presidido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Antonio Dias Toffoli, e que tem como relator o ex-ministro desse mesmo Tribunal Carlos Mário da Silva Velloso Depois da audiência pública em Cuiabá, a comissão segue para as cidades de Belém, Brasília, Rio de Janeiro e Salvador. Outras audiências já foram realizadas em São Paulo, Belo Horizonte, Florianópolis e Recife.

Edição EDIÇÃO 16967




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