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Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 21h:11

DENÚNCIA

Juiz acata denúncia contra Ralf Leite

Vereador e mais cinco pessoas são acusadas pelo Ministério Público Eleitoral por suposta compra de voto na eleição passada

O juiz Rondon Bassil Dower Filho, da 37ª Zona Eleitoral, acatou ontem a denúncia criminal do Ministério Público Eleitoral contra o vereador Ralf Leite (PRTB) e mais cinco pessoas, acusadas de compra de voto na eleição passada. O magistrado já marcou a data das audiências com os acusados. A oitiva será no dia 13 de março às 14 horas, na sede do Cartório da 37ª Zona Eleitoral, na avenida Fernando Correa da Costa, onde antes funcionava o Tribunal Regional do Trabalho. Este é mais um imbróglio jurídico envolvendo o vereador em primeiro mandato. Além desta acusação, ele está sendo investigado por desacato à autoridade, falsidade ideológica e abuso sexual contra menor de idade. Há cerca de duas semanas, ele foi flagrado com um travesti menor de idade no Zero-quilômetro, conhecido ponto de prostituição em Várzea Grande. Por conta deste episódio, o parlamentar alegou problemas de saúde e se afastou da Câmara. A denúncia cita ainda o irmão de Ralf, Edson Leite da Silva Júnior, além de Edimara Adne da Costa Cortez, Wequeson de Souza Barbosa Lima e Mateus Rodrigues de Paula. Os seis são acusados de infringir o artigo 299 do Código Eleitoral, que estabelece pena de até quatro anos de cadeia e pagamento de cinco a quinze dias-multa, para quem “der, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva ou qualquer outra vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita”. A ação do Ministério Público foi formulada a partir das conclusões de um inquérito policial aberto em 5 de outubro do ano passado, dia da eleição. Naquela data, Edson Júnior, Edimara e Wequeson foram presos em flagrante em um posto de combustível “realizando captação ilícita de sufrágio” para Ralf Leite, segundo acusa o promotor João Augusto Veras Gadelha, autor da ação. Eles carregavam R$ 1.230 em dinheiro, santinhos, recibos do candidato e diversos documentos que provariam a compra de votos. Paralelo a esta acusação, o Ministério Público descobriu ainda que Ralf Leite teria prometido a detentos do sistema prisional cartões telefônicos e dinheiro em troca do voto dos familiares. Em depoimento ao promotor Marcos Henrique Machado, o detento Willian David Silva, preso no Centro de Ressocialização de Cuiabá (antigo Carumbé), confirmou a informação. Acompanhado de sua advogada, ele disse que Leite também lhe oferecera cartões e dinheiro em troca dos votos dos parentes. Segundo informações, Ralf está internado em um hospital em Brasília para tratamento de saúde. Ontem, ele deveria prestar esclarecimento da sua prisão em flagrante no dia 6 passado por policiais militares. Ele acusou os militares de tentativa de extorsão para evitar o flagrante. Em depoimento à Comissão de Ética, os policiais informaram que o parlamentar tentou suborná-los.

Edição EDIÇÃO 16962




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