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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008, 19h:28

CONSCIÊNCIA

Jayme solicita para a PF rigor contra o racismo

O senador Jayme Campos (DEM) declarou, no Dia Nacional da Consciência Negra, na quinta-feira que a eleição de Barack Obama, nos Estados Unidos, “equivale à queda do Muro de Berlim na luta contra a segregação racial”. Ele também alertou que a discriminação não é licita e tampouco, moral: “É uma nódoa que ainda insiste em manchar nossos ideais democráticos”, lamentou o parlamentar, em discurso no Plenário do Senado. Jayme Campos aproveitou a data para pedir rigor da Polícia Federal na apuração de denúncias de ato de racismo cometidos contra o sambista Dudu Nobre e sua esposa Adriana Bombom por tripulantes da companhia American Airlines, em vôo iniciado em Nova York com destino ao Rio de Janeiro. “Trata-se de um crime vergonhoso previsto em nosso Código Penal”, reagiu o parlamentar, que mostrou indignação com o ato. O senador também lembrou que ainda existe enorme disparidade social entre brancos e negros no país. Com base numa pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), Jayme reconheceu que dos 14 milhões de analfabetos do país, nove milhões são negros. Ainda com base neste levantamento, segundo Jayme, 13,4% da população brasileira que detém curso superior, apenas 4% são negros ou pardos. “A realidade ainda é mais dura no mercado de trabalho”, informou o parlamentara mato-grossense. “A diferença nos rendimentos médios percebidos por negros e pardos, em relação aos brancos, chega a ser 50% menor”, aponta o senador, também com base no relatório do IBGE. Para ele, estes índices reforçam a condição de pobreza dos negros, que entre os dez por cento menos favorecidos da população representam 74% dessa faixa econômica, enquanto que os brancos são apenas 12%. Para a diminuição destas desigualdades, o senador recomendou a adoção de políticas afirmativas em favor das minorias étnicas: “Falta, portanto, governo e sociedade nacional construírem pontes estratégicas para que haja uma verdadeira integração racial no país. O senador Paulo Paim (PT-RS), que é negro, elogiou ao discurso de Jayme Campos. O parlamentar petista alegou que tratou-se da reflexão “de um homem de bem” e que suas palavras tinham enorme significado para a luta por políticas afirmativas para o negro no país. Na quinta-feira, no Dia Nacional da Consciência Negra, em Cuiabá é feriado, mas o Congresso Nacional funcionou normalmente.

Edição EDIÇÃO 16962




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