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Sábado, 31 de Maio de 2014, 18h:42
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MINISTÉRIO PÚBLICO
Janot confirma que planilha citava só cartas de crédito
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, confirmou a explicação dada pelo procurador-geral de justiça de Mato Grosso, Paulo Prado, à planilha encontrada na casa do ex-secretário de Estado, Eder Moraes (PMDB), que continha valores e os nomes de 47 membros do Ministério Público Estadual (MPE), durante a quinta fase da operação Ararath. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Janot citou o caso, inclusive, como um exemplo típico do por que solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o sigilo absoluto sobre as investigações. Constava ali uma planilha, não de pagamentos a promotores e procuradores. Constava ali uma planilha de cartas de créditos que essas pessoas, que tinham créditos junto ao Estado de Mato Grosso, obtiveram. Eram cartas de crédito para ressarcir os seus créditos que são lícitos, disse Janot ao jornal paulista. O procurador-geral afirma ainda que a prática não é exclusiva a membros do Ministério Público, mas adotada pelo governo do Estado como um todo. Segundo ele, mais de 40 mil cartas de crédito semelhantes já foram expedidas pelo Palácio Paiaguás. Ainda de acordo com Janot, a medida foi uma solução inovadora encontrada pelo governo do Estado para fazer pagamentos aos quais não dispunha de verba orçamentária suficiente. A pessoa recebe o seu crédito através dessa carta, dá quitação ao Estado e esse documento público, esse título público, tem valor no mercado, explicou. Sobre a divulgação das etapas das investigações, o procurador-geral afirmou considerar que ela mais atrapalha do que ajuda o trabalho do Ministério Público. Entre os motivos está, justamente, o fato de algumas suspeitas não se confirmarem no fechamento da apuração. A gente tem que ter transparência e esclarecer o resultado que se obteve. Aí, sim, chamar os meios de comunicação e dizer: olha, os investigados são esses, as medidas invasivas aconteceram por esses motivos, esses foram os fundamentos e o que se obteve? Obteve-se isso. Para dizer: nós tínhamos razão no que a gente imaginava. Ou não: erramos, essa pessoa não tem absolutamente nada a ver com esse ilícito que a gente pretendia ou achava, defendeu. Ao explicar o que seria o real conteúdo da planilha que continha o nome de membros do MPE, durante uma entrevista coletiva nesta semana, Paulo Prado chegou a considerar que a divulgação desta informação seria uma tentativa de desmoralizar e intimidar promotores de justiça que investigam um esquema semelhante ao apurado na operação Ararath.