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Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010, 20h:27

ACUSAÇÕES NA CÂMARA

Imagens foram editadas, diz promotor

Promotor vai pedir que presidente da Câmara envie as imagens originais. Segundo ele, o conteúdo ainda não é conclusivo

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O promotor de Justiça Gilberto Gomes, responsável pela investigação sobre a suposta compra de votos na eleição da presidência da Câmara de Cuiabá, afirmou ontem que as imagens que, segundo o presidente da Casa Deucimar Silva (PP), mostrariam vereadores recebendo dinheiro não são suficientes para provar as acusações. Conforme o promotor, as imagens não são conclusivas, pois foram editadas. Ele recebeu dois vídeos do presidente da Câmara, que acusou vereadores de um grupo contrário ao seu de receber dinheiro em troca de votos na eleição à mesa diretora da Casa. Segundo o promotor, em uma das imagens, um vereador aparece pegando um pequeno maço de dinheiro. Porém, o áudio foi removido e o rosto do interlocutor obstruído para que não seja reconhecido. No outro, existe uma espécie de desabafo de outro vereador, com áudio ruim, mas nenhuma afirmação de venda ou compra de votos. “Isso por enquanto não prova, pois qualquer pessoa pode receber dinheiro. E como as imagens foram editadas, não dá para saber onde foi feita a gravação, se são contemporâneas ou a que situação corresponde. Dá para imaginar um monte de coisas por essas imagens, mas não dá para concluir nada”, explicou o promotor. O promotor vai tomar três providencias a partir de agora. A primeira será encaminhar esses vídeos para a equipe técnica tentar extrair o som que foi suprimido e tentar recuperar a integridade das imagens. Gilberto Gomes também vai pedir que o presidente da Câmara encaminhe os vídeos originais, pois conforme ofício encaminhado por Deucimar, os vídeos eram “cópias”. O promotor também vai pedir para Deucimar encaminhar outros vídeos, pois como teve notícias, pela imprensa, eram quatro vídeos. Como se trata de período eleitoral, o promotor disse que vai tomar cuidado para que essas imagens não sejam expostas antes de qualquer conclusão. Se ficar comprovado que houve compra de votos para a eleição do novo presidente, o promotor afirmou que os vereadores podem responder processo por ato de improbidade administrativa, mesmo que o dinheiro para essa compra não tenha origem ilegal. “A votação para eleição da mesa diretora é um exercício do cargo que ocupam os vereadores, por isso atende a interesse público. O ato de improbidade não precisa necessariamente causar prejuízo ao erário, o simples fato de vender o apoio para determinada votação é uma conduta ilegal, ilícita. A luta pelo poder é natural, mas deve ficar na base da argumentação, se houve venda e compra de votos, os vereadores traíram o mandato”, esclareceu o promotor. No dia primeiro deste mês o vereador Júlio Pinheiro (PTB) foi eleito presidente da Câmara para o biênio 2011-2012. Pinheiro entrou na Casa faltando uma semana para a eleição na vaga de Ivan Evangelista (PPS), cassado por compra de voto. O vereador Adevair Cabral (PDT), apoiado por Deucimar, tinha a eleição praticamente ganha uma semana antes da entrada de Pinheiro. Porém, numa reviravolta, Pinheiro conseguiu apoio da maioria dos 19 vereadores.

Edição EDIÇÃO 16967




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