NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 16 de Junho de 2026

Primeira Página
Sábado, 17 de Julho de 2010, 13h:35

FOCO NA EDUCAÇÃO

Ideb sob a ótica da oposição e situação

Candidatos ao governo do Estado avaliam o Índice de Desenvolvimento da Educação (Ideb) conforme a sua posição partidária e política

JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Neste período eleitoral o tema educação passa a ser explorado por muitos candidatos, virando bandeira de campanha. Nesta edição, o Diário busca saber dos postulantes ao Palácio Paiaguás – Silval Barbosa (PMDB), Wilson Santos (PSDB) e Mauro Mendes (PSB) – suas percepções e propostas para o setor. Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2009, recentemente divulgados, receberam posição de destaque no discurso dos três candidatos. Entre críticas e elogios, todos acreditam que é possível melhorar os índices. Esta é a segunda série de entrevistas com os candidatos ao governo. Segundo o Ideb, o desempenho das escolas do interior ajudou Mato Grosso a atingir média de 4,9 para os anos iniciais do ensino fundamental e 4,2 para os anos finais, superando as projeções feitas pelo MEC para 2009 de 4 e 3,1, respectivamente. Por outro lado, o Ensino Médio amargou a 13ª posição no ranking nacional com 2,9, o menor índice desde 2007. A Secretaria Estadual de Educação (Seduc) afirma que a queda tem relação com o alto índice de evasão. Além do Ideb, os candidatos comentam sobre a necessidade de instalação de um campus da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) na Capital, valorização de professores e desafios para a Copa do Mundo de 2014. Silval da Cunha Barbosa (PMDB) Coligação Mato Grosso em Primeiro Lugar Nascimento: 49 anos Naturalidade: Borrazópolis-PR Estado Civil: Casado e pai de três filhos Formação: Bacharel em Direito Nome: Wilson Pereira dos Santos (PSDB) Coligação Senador Jonas Pinheiro Idade: 48 anos Naturalidade: Dracena, SP. Mas há 45 anos vive em Cuiabá Estado Civil: Casado e pai de três filhos Formação: Professor, bacharel em Direito e pós-graduado em Gerência de Cidades. Mauro Mendes (PSB) Coligação Mato Grosso Melhor pra Você Nascimento: 12/04/1964 Idade: 46 anos Naturalidade: Anápolis-GO Estado Civil: Casado e pai de dois filhos Formação: Engenheiro Eletricista (UFMT)/empresário Diário de Cuiabá – Como o senhor avalia o atual quadro da educação em Mato Grosso? Silval Barbosa – Eu tenho a seguinte avaliação: estamos avançando e melhorando muito, em todos os sentidos. Tanto na capacitação dos professores que estão recebendo em dia e passando um ensino de maior qualidade aos nossos alunos. Também temos investindo na ampliação da infraestrutura. Construímos 24 Cejas (Centro de Educação de Jovens e Adultos) no Estado. Isso deu a oportunidade de formação de milhares de pessoas. Pegamos a nossa rede física em 2003 em situação precária. Já conseguimos reformar 90% das 717 escolas. Construímos mais 140 novas escolas atrativas. Agora, estamos partindo para a climatização das escolas. Até o final do ano chegaremos a três mil salas climatizadas, das cinco mil e seiscentas salas que temos em Mato Grosso. Temos um clima diferenciado e é fundamental salas climatizadas. Avançamos muito no ensino fundamental inicial, estamos em quinto lugar no Ideb. E nos anos finais do ensino fundamental ficamos em segundo lugar, junto com Santa Catarina. Wilson Santos – O atual quadro é de retrocesso. Quando Blairo Maggi assumiu o governo em 2003, Mato Grosso era o 12º no ranking da educação entre os estados. No último Ideb, caiu para a 22ª posição. Não há um plano, uma diretriz clara em relação à educação no Estado. Os profissionais encontram-se desmotivados, tem aumentado a violência nas escolas, o conteúdo programático defasado, as ferramentas metodológicas ultrapassadas, o corpo discente também desmotivado. É preciso que haja um choque de gestão, um choque de prioridade, para que a educação estadual volte a patamares aceitáveis. A nossa meta é chegar em 2014 com Mato Grosso entre os dez melhores estados no ranking nacional. Assim como avançamos bastante em Cuiabá. Tiramos Cuiabá da 18ª posição no ranking das capitais, hoje da quinta à oitava série está na 7ª posição e nas séries iniciais na 14ª. Então, a educação em Mato Grosso retrocedeu muito nos últimos oito anos. Mauro Mendes – A educação pública de Mato Grosso, avaliada recentemente pelo Ideb está em 22ª posição entre os 27 estados brasileiros no ensino médio. Acredito que é uma posição extremamente ruim, mostra que nós temos ainda um grande desafio na área da educação. Temos que investir não só em infraestrutura, mas na qualidade do ensino, na aprendizagem, no professor, na tecnologia de ensino, para nós que possamos ter o aluno efetivamente aprendendo e esse ensino público possa ter a qualidade que desejamos e esperamos dentro do estado de Mato Grosso. Diário – Os números do Ideb, que funciona como um termômetro da qualidade do ensino, são satisfatórios? Silval – Fizemos uma projeção que conseguimos superar. Precisamos avançar e é isso que estamos fazendo. Construímos cinco Centros de Formação de Professores e estamos com R$ 64 milhões de obras licitadas para construir mais oito escolas técnicas, além das oito que já estão em funcionamento. Também fortalecemos os recursos da Unemat. Com a aprovação de emenda constitucional que será implantada a partir de janeiro do ano que vem, a Unemat sairá de R$ 130 milhões que estão sendo investidos neste ano para R$ 200 milhões. Estamos trabalhando para interiorizar ainda mais os cursos da nossa universidade estadual. A Unemat saiu de R$ 28 milhões de orçamento em 2003 para R$ 200 milhões hoje. De menos de cinco mil alunos, chegamos a vinte mil estudantes na instituição. Wilson – Pelo menos é a principal referência que há. Mato Grosso saiu da 12ª para cair para a 22ª colocação. Hoje Mato Grosso tem uma das piores colocações do país. O Ideb é o indicador que o Ministério da Educação utiliza para avaliar o ensino nas escolas individualmente e classificar os estados. Então, temos que acreditar no Ideb sim. Mauro – O Ideb é um termômetro reconhecido, com a sua aplicabilidade incontestável no Brasil. Cuiabá, por exemplo, entre os 141 municípios do Estado, ocupa a 96ª posição da primeira à quarta série e 84ª posição da quinta à oitava série. É também uma posição lamentável para a Capital do nosso Estado. Os índices estaduais nesses níveis são um pouco melhores. Se observarmos o índice de aprovação escolar, ele cresceu neste Estado. Mas o índice de resultado na prova que mede qualidade de ensino mostra que não evoluíram na mesma proporção. Eu entendo que precisamos reformular muitas ações e estratégias do ensino público para que esses dados e essa realidade possa ser alterada nos próximos anos. Diário – Qual será o diferencial do setor em seu governo? O que pode melhorar? Silval – É investir. Investir no ensino fundamental, na capacitação dos professores, manter o aluno o máximo de tempo nas salas de aula. Queremos criar um novo sistema de manutenção do ensino integral construindo os Centros Poliesportivos, para mantermos a criança o máximo dentro do núcleo de educação. Isso, queremos promover em todas as cidades. Wilson – Educação vai ser a prioridade das prioridades. Penso que só duas coisas podem mudar o ser humano: Deus e a educação. Sou um testemunho das duas coisas. Era vendedor de jornal em Cuiabá e hoje disputo o governo do Estado porque aproveitei as oportunidades, estudei, levei a sério a educação. Como prefeito de Cuiabá, tratei esse tema com prioridade. Temos algumas políticas públicas na educação cuiabana que já são referência nacional como a educação inclusiva para crianças com deficiência mental e física e a educação em tempo integral. Na nossa gestão vamos fazer um choque de gestão e motivar os profissionais implantando o princípio da meritocracia. Para cada setor, teremos uma política pública clara. Não uma política de governo, mas de Estado, algo definitivo. Porque a educação é o grande instrumento de reparação principalmente para os mais pobres. Mauro – Em primeiro lugar, eu vejo que educação se faz com bons prédios, boa infraestrutura. Mas, se faz, principalmente, com investimentos em professores e na tecnologia de ensino. Precisamos modernizar as nossas escolas, aportar uma tecnologia educacional à altura daquilo que é feito nos grandes centros e principalmente nas escolas privadas. Valorizar o professor, investir em qualificação, melhorar a remuneração se possível, são caminhos importantes para que possamos dar eficiência ao ensino e igualdade de competição entre o aluno de escolas públicas e da rede privada. Diário – De que forma alunos de escolas públicas poderão competir de forma igualitária com estudantes da rede privada na hora do vestibular? Silval – Investindo na qualidade do ensino fundamental, médio e capacitação dos professores dando as condições e ferramentas tecnológicas para promover o conhecimento. Segundo, aqueles que não têm condições de fazer um “cursinho”, o Estado está promovendo curso preparatório para ele ingressar no vestibular. Este ano saímos de cinco mil para 14 mil alunos matriculados. Nossa meta é chegar a 30 mil alunos em todo o Estado no próximo ano. Wilson – Com qualidade na educação infantil, no ensino fundamental, no ensino médio. Nós temos nesta década o dever de universalizar o acesso à educação infantil e ao ensino médio neste estado. Além da universalização temos que garantir qualidade. E a meta qualidade só é atingida com uma série de ações como melhoria das condições de trabalho nas escolas, motivação total dos profissionais, gestão compartilhada com sindicatos, sociedade e governo. Mauro – Hoje é praticamente impossível um aluno da rede pública competir com outro da rede privada em Mato Grosso. Pelo mesmo Ideb, constatamos que a pior escola privada do Brasil, que está em Alagoas, tem a média igual à das melhores escolhas públicas que estão em Minas Gerais e São Paulo. Aqui em Mato Grosso não é diferente e precisamos trabalhar seriamente para que isso possa alterar. Para isso, vou usar a experiência do meu vice-governador, Otaviano Pivetta, que na cidade de Lucas do Rio Verde, em oito anos como prefeito, revolucionou a gestão pública municipal. Lá nós temos duas das cinco melhores escolas públicas avaliadas no Brasil. Queremos trazer essa experiência, essa forma de revolucionar a educação, para o estado de Mato Grosso. Diário – Cuiabá precisa de uma universidade estadual? Silval – Precisa e nós vamos trabalhar para implantar não só em Cuiabá, mas, também, em Várzea Grande. Não só isso, mas vamos trabalhar para transformar os campus de Várzea Grande, Barra do Bugres, Sinop e Rondonópolis em universidade. O presidente Lula tem feito isso em cidades com mais de 100 mil habitantes. Temos que lutar para ter mais universidades federais e pela ampliação dos campi da Unemat. É por isso que aprovamos a emenda aumentando os recursos da Universidade Estadual. O próximo passo é sentar com a nova direção da instituição para planejar como será executado este orçamento. Wilson – Precisa e vai ter na minha gestão. Vamos implantar a Unemat na região da grande Morada da Serra. Como também vamos implantar a Unemat aqui em Várzea Grande, em Vila Bela e outros em pólos. Temos que trabalhar para um dia ter uma universidade em cada esquina de Mato Grosso. Desenvolvimento com sustentabilidade se faz com educação. A maior riqueza de uma nação está no cérebro de sua gente. Mauro – Cuiabá precisa sim de uma universidade estadual como muitos outros pontos de Mato Grosso. O que nós temos que ver é se temos recursos para isso. Administrar é, acima de tudo, estabelecer prioridades. Saber fazer mais com poucos recursos que nós temos. A Unemat é uma universidade criada para atender o interior que está muito carente, que tem muitas demandas. Acredito que, primeiro, precisamos fazer a universidade funcionar bem no interior do Estado para, em outro momento, colocar um pólo regional em Cuiabá e Várzea Grande. Diário – Os professores estão sendo valorizados? Silval – São. Hoje no nosso governo, sim. Fizemos realinhamento salarial, mas não é ainda o que o governo queria pagar. Pagamos praticamente todas as cartas de créditos aos professores que é um direito adquirido. E tem a valorização desde a sala de aula climatizada, as ferramentas de trabalho. Nos próximos anos pretendemos manter a valorização não só na capacitação, mas fazer as correções para chegarmos a uma remuneração que faz jus a eles. Wilson – Não. Os professores da rede estadual recebem menos que na rede municipal de Cuiabá. Mauro – Tenho conversado com muitos professores. Eu sinto que existe um desejo de que sejam implementadas mudanças na política de relacionamento governo/servidor. O Estado precisa melhorar a sua relação porque sem um servidor público satisfeito, motivado, interessado em fazer mais, dificilmente iremos melhorar a qualidade do ensino público. Eu como administrador e gestor que sempre fui, tenho em minha consciência o tripé básico para melhorar a qualidade do serviço prestado que é motivar, qualificar e cobrar do servidor público. Todo ser humano gosta de desafio.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL