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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2014, 21h:40

ARARATH 6

Gilmar Fabris também é alvo da PF

A 6ª fase da operação Ararath cumpriu cinco mandados de busca e apreensão; dois na Capital mato-grossense e três em Ribeirão Preto (SP)

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
Faltando pouco mais de uma semana para a eleição, a Polícia Federal deflagrou na manhã de ontem (26) a 6ª fase da operação Ararath. Nesta etapa, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos - dois na Capital e três em Ribeirão Preto (SP). O principal alvo é o suplente de deputado estadual Gilmar Fabris (PSD). A medida ainda atingiu a esposa do social-democrata, Anglisey Volcov, e seu advogado Ocimar Carneiro de Campos. Em Cuiabá os policiais estiveram no apartamento de Gilmar Fabris no edifício Campo D Ourique, no bairro Santa Rosa, e no escritório do advogado, que também é concunhado de Fabris. Foram apreendidos documentos e dispositivos de informática, bem como os aparelhos de celulares dos investigados. Fabris também possui uma casa e uma fazenda em Ribeirão Preto. As propriedades também teriam sido alvo dos agentes. A Polícia Federal, entretanto, não confirma a informação, uma vez que o inquérito corre em segredo de Justiça. O delegado Wilson Rodrigues de Souza é quem está à frente da Operação. Os mandados de busca e apreensão, por sua vez, foram expedidos pelo juiz federal da 5ª Vara Federal em Mato Grosso, Jeferson Schneider. O magistrado atendeu ao pedido feito pelos procuradores que compõem a força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF), que atua em Mato Grosso desde maio deste ano, quando foi deflagrada a quinta fase da operação. Ela tem o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em crimes contra o sistema financeiro nacional e lavagem de dinheiro em Mato Grosso. O foco da investigação são pessoas e empresas que agiam como instituição financeira sem autorização do Banco Central e facilitavam a lavagem de ativos de origem ilícita, cujo dinheiro circularia num sistema financeiro paralelo sem controle e fiscalização. Quatro pessoas já respondem a uma ação penal proposta pelo Ministério Público Federal e ainda estão em trâmite 13 inquéritos policiais. A 6ª fase se originou por meio da perícia realizada em documentos apreendidos nas etapas anteriores da operação. Os depoimentos colhidos pela Justiça Federal também foram peça fundamental. A partir de então, a polícia e o Ministério Público Federal passaram a investigar a ligação entre Fabris e o ex-secretário de Estado, Eder Moraes (PMDB), considerado peça-chave da Operação. Anotações encontradas na casa do peemedebista apontam como ele alimentava um sistema de provável compra de apoio político, financiamento de campanha eleitoral e pagamentos de outros empréstimos tomados no mercado financeiro paralelo, por meio de pagamentos efetuados a deputados estaduais, empreiteiras e até a um prefeito. Na relação aparecem anotações com valores e abreviaturas de nomes dos beneficiados, na qual o suplente de deputado está incluso. A Fabris consta o repasse da quantia de R$ 2 milhões. Há suspeitas também de que o social-democrata e Eder Moraes teriam feito empréstimos fraudulentos com o empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, delator na Operação. Outro documento apreendido em fevereiro deste ano pela Polícia Federal sugere que Éder supostamente autorizou o pagamento de uma Nota Promissória de R$ 1,4 milhão para Fabris. Conforme a Polícia Federal, os materiais apreendidos nesta sexta-feira (26) serão analisados cuidadosamente. A partir de então, os envolvidos serão convocados a prestar depoimento junto à Justiça Federal. A operação Ararath teve início em novembro do ano passado tendo como alvo um esquema de lavagem de dinheiro público através de empresas factoring. Eder Moraes e o deputado estadual José Riva (PSD) chegaram, inclusive, a ser preso pela PF em maio deste ano. Ambos respondem ao processo em liberdade.

Edição EDIÇÃO 16968




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