Primeira Página
Quinta-feira, 26 de Maio de 2011, 20h:38
A
A
HOMOFOBIA E RACISMO
Gilmar Fabris expõe preconceito em série
O parlamentar declarou ter preconceito sobre relação de pessoas do mesmo sexo, além de questionar a adoção de crianças negras por casais brancos
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O deputado estadual Gilmar Fabris (DEM) afirmou ter preconceito sobre casais do mesmo sexo. A declaração ocorreu na manhã de ontem, na tribuna da Assembleia Legislativa, quando o parlamentar comemorou a decisão da presidente Dilma Rousseff (PT) de suspender a distribuição do Kit contra homofobia nas escolas públicas. Segundo o parlamentar, a manifestação pública de afeto entre casais homossexuais é uma depravação e ele tem preconceito, sim. O assunto sexual de cada um tem que ser tratado entre quatro paredes, disse deputado democrata. Para Gilmar Fabris, o kit contra homofobia, produzido pelo Ministério da Educação, é uma vergonha e não pode ser mostrado para crianças. Eu vi a cartilha e tenho vergonha de dizer que vi. Dizem que o mundo vai acabar e vai acabar mesmo, pelo jeito disse o deputado. A discussão sobre esse kit contra a homofobia produzido pelo Ministério da Educação repercutiu em todo o Brasil. Principalmente depois das declarações homofóbicas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). No momento das declarações de Fabris a sessão já estava esvaziada e não houve manifestação de outros parlamentares. Indo além da discussão sobre o kit, Fabris também criticou a adoção de criança por casais homossexuais e as manifestações de afeto em público, como beijo na boca. Segundo ele, não é de bom tom nem os casais heterossexuais ficarem se agarrando em locais públicos, por isso nem os casais homossexuais devem fazer isso. Vão dizer que eu tenho preconceito. Tenho, sim, e bastante! Não podemos ter hipocrisia. Muita gente fala que não tem preconceito, mas vamos ver se ele quer um filho assim em casa. Não quer não!, disso o deputado. Ele usou exemplos do seu dia-a-dia e situações hipotéticas para demonstrar que, para ele, a opção sexual é íntima de cada pessoal e como tal deve ficar reservada. Conheço homens que têm outra opção sexual, mas no dia-a-dia são parrudos, firmes e resolvem as coisas sexuais deles para lá, entre quatro paredes, disse o deputado. O democrata ainda contou sobre um episódio em que estava numa praça do centro de Cuiabá quando viu duas meninas abraçadas. Achei que eram amigas. Mas depois elas começaram a se beijar na boca. Eu encarei para demonstrar que não gostei e elas foram para um banco do outro lado da praça, contou o deputado. Como reflexo do Dia Nacional da Adoção, que aconteceu no dia 25 de março, a pauta de debate da Assembleia marcada por esse tema, Fabris também criticou a adoção por casais gays. Outro dia vi na TV dois homens que adotaram uma criança. A professora vai perguntar quem é a mãe dela e vai chamar para reunião de classe. A mãe da criança vai ter bigode até na orelha. Até onde vai isso?, questionou Gilmar Fabris. Além disso, o deputado adentrou em outro aspecto da adoção: a raça. O deputado sugeriu que pais brancos devam adotar crianças brancas. Se a mãe é loira e o pai é loiro e querem um escurinho, depois a criança pode ser humilhada por causa disso, sugerindo que o meio social, fora de casa, poderia ser preconceituoso com a criança. Mas para amenizar as falas polêmicas, Gilmar Fabris disse que tudo depende da afinidade. Se a pessoa viu a criança, sentiu afinidade, o carisma, é isso que importa, declarou.