Primeira Página
Sexta-feira, 16 de Abril de 2010, 21h:32
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DIVERGÊNCIAS
Freire irredutível à indicação de Mauro
Dirigente nacional do PPS afirma que qualquer decisão só poderá ocorrer a partir da convenção que ocorrerá em junho próximo
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Embora ainda não tenha recebido nenhum documento contendo a decisão do diretório regional do partido de apoiar a candidatura do empresário Mauro Mendes (PSB) em Mato Grosso, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, disse ontem que irá recusar qualquer indicativo de apoio a candidato que não faça parte da aliança de fortalecimento do candidato à presidência da República José Serra (PSDB). A decisão final ocorrerá somente nas convenções. Vamos recusar todos os indicativos. Aliás, se aprovarmos indicativo, pra que convenção?, disse Freire, por telefone, enfático. Para o líder partidário, o reconhecimento de um indicativo acabaria tirando a legitimidade da Convenção Estadual, que deve acontecer entre os dias 10 e 30 de junho. Na noite de anteontem, a discussão em torno do apoio à candidatura majoritária de Mauro Mendes ou do ex-prefeito Wilson Santos (PSDB) motivou uma nova celeuma entre socialistas. Bate-boca, exaltação e ânimos acirrados deram a tônica do encontro que definiu, por 31 votos a favor, quatro contra e uma abstenção, a preferência do diretório pela coligação com o PSB. Apesar de a maioria ter votado a favor da permanência do partido no movimento Mato Grosso Muito Mais, uma outra ala, liderada pelo suplente de deputado Pedro Satélite, defende uma terceira alternativa: a inclusão da aliança encabeçada pelo governador Silval Barbosa (PMDB) nas discussões internas. Satélite sugeriu uma nova consulta a respeito da aliança, porém não foi atendido. O presidente da sigla no Estado, deputado Percival Muniz, enfatizou que o indicativo era apenas uma forma de buscar qualificação da aliança junto à executiva nacional. Contudo, o posicionamento foi questionado pelo presidente da cúpula nacional. Respeito a articulação do deputado Percival, assim como sua história no partido. Mas também respeito todos os demais partidários e seus posicionamentos. Esse é o motivo pelo qual o PPS defende a convenção, reiterou Freire. Durante reunião, em Brasília, da qual participaram Percival e o presidente do PPS em Cuiabá, vereador Ivan Evangelista, a direção nacional do partido já havia estabelecido que, na convenção, a decisão ficaria a cargo não só do diretório regional composto por 45 membros mas, também, dos delegados eleitos no 16º Congresso Estadual do partido. Dessa forma, o quórum aumentaria para cerca de 200 partidários na hora da votação. A ala que defende a aliança com PSDB e DEM no Estado tem declarado que a determinação garante a permanência do PPS no arco de aliança de José Serra. Entretanto, com a mesma convicção, o deputado Percival Muniz tem declarado que a convenção só confirmará o que o diretório aprovou apoio ao empresário Mauro. Enquanto o imbróglio não é resolvido, Roberto Freire garantiu que, antes das convenções, todas as articulações serão respeitadas, inclusive com os peemedebistas. Ele reforçou que a decisão deverá passar pelo crivo da direção nacional, transparecendo que farão de tudo para levar o partido ao ninho tucano. Acima de tudo, queremos unidade, concluiu Freire. A assessoria de imprensa do deputado Percival Muniz (PPS) informou que o indicativo retirado da reunião, anteontem à noite, deveria ser encaminhado ontem no final da tarde para o diretório nacional. O partido, segundo a assessoria de imprensa, deverá indicar o deputado para ocupar uma vaga na chapa majoritária para ser o candidato a vice ou ao Senado. A defesa maior é que Muniz enfrente uma candidatura de vice-governador na chapa encabeçada por Mauro Mendes.