Primeira Página
Sábado, 22 de Agosto de 2009, 08h:37
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DERROTAS JURÍDICAS
França e Percival têm mandatos cassados
Deputados estaduais desde 2006 enfrentam uma série de ações na Justiça para manter os respectivos mandatos na Assembleia Legislativa
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Os deputados estaduais Roberto França (sem partido) e Percival Muniz (PPS) amargam, cada um a seu modo, derrotas emblemáticas na Justiça Eleitoral. Os dois estão com os mandatos cassados. Numa decisão por unanimidade, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) derrubou decisão da Justiça Eleitoral de Mato Grosso que lhe garantia o registro de candidatura do pleito de 2006. Já Percival, na esfera mais alta do Judiciário, o Supremo Tribunal Federal (STF), teve negado prosseguimento de agravo de instrumento que visava à manutenção na cadeira de parlamentar. Ambos os casos judiciais foram deflagrados ainda em 2006, durante a campanha eleitoral, e uma decisão definitiva o chamado trânsito em julgado caminha para a reta final dos mandatos parlamentares, que se encerram em 2010. À época, o Ministério Público Eleitoral (MPE) rejeitou os requerimentos de registro de candidatura de França e Percival, sob a alegação de possível inelegibilidade. A impugnação se deu porque França, prefeito de Cuiabá por dois mandatos, e Percival, ex-prefeito de Rondonópolis, tiveram prestações de contas de convênios rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União, o TCU. Tal situação, considerada irregular para quem pleiteia cargo eletivo, é vetada na Lei Complementar nº 64/90, que enquadra os casos em que cabe a inelegibilidade. Em ambos os casos, os processo ainda comportam recursos. De qualquer forma, eventuais cassações não seriam novidade na atual legislatura da Assembleia Legislativa do Estado: Walter Rabello (PP) perdeu o mandato por infidelidade partidária, ao passo que os deputados Chica Nunes (PSDB) e Gilmar Fabris (DEM) tiveram os mandatos cassados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e se mantêm no cargo por força de liminares obtidas junto ao TSE. No caso específico de Roberto França, a cassação do mandato parlamentar está condicionada, neste momento, à burocracia do Judiciário. Por unanimidade, o Pleno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acolheu, em meados de junho, recurso movido pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que conferiu o registro de candidatura ao político. Até hoje, a determinação do TSE não foi publicada no Diário Oficial. Para que isso ocorra, a decisão percorre um rito extenso e sem data prevista para terminar. Desde o dia 1º de julho, às vésperas do recesso do Judiciário, o acórdão selado no Pleno do TSE está no gabinete do presidente da Corte, Carlos Ayres Britto, para assinatura. A rubrica é o procedimento necessário para ratificar as decisões adotadas, antes da publicação oficial. Até agora, apenas o relator do caso, o ministro Joaquim Barbosa, assinou o documento. Os outros cinco ministros que compõem o Pleno também precisam realizar o mesmo procedimento. Isso significa que pode demorar meses seguidos até que o acórdão saia do gabinete de Britto e circule sob as canetas dos ministros Ricardo Lewandowski, Felix Fischer, Marcelo Ribeiro, Fernando Gonçalves e Arnaldo Versiani, já que não há prazos predeterminados para que esse tipo de procedimento seja concluído. Publicada a decisão, Roberto França teria de se agarrar a uma única plataforma jurídica para tentar postergar o caso no Judiciário. A possibilidade consiste num recurso extraordinário, dirigido exclusivamente ao presidente do TSE, solicitando o chamado juízo de admissibilidade que, na prática, significa a chancela do TSE para que a matéria suba para o Supremo Tribunal Federal (STF), conforme explica a assessoria do tribunal. O pedido deve ser protocolado no prazo máximo de três dias após a publicação do acórdão. Logo após a batalha judicial deflagrada em 2006, França amargou o resultado eleitoral que lhe garantiu apenas a segunda suplência no pleito de 2006. Ele disputou as eleições pela coligação Mato Grosso Unido e Forte, cujos parlamentares eleitos se revezam desde então para garantir ao ex-prefeito a atuação como titular. França ocupa atualmente a vaga de Gilmar Fabris (DEM), outro parlamentar que enfrenta uma verdadeira batalha judicial para se manter no cargo.