A polêmica causada por doações milionárias feitas por construtoras a políticas não seria resolvida, pura e simples, com a adoção do modelo de financiamento público de campanhas no país na opinião do cientista político Manoel Motta. O mecanismo é uma das temáticas discutidas em meio ao projeto da Reforma Política no Brasil. Isso só funcionaria num regime parlamentarista, sem candidaturas avulsas, com o dinheiro distribuído aos partidos e pulverizado a todos os candidatos de forma igualitária. Da maneira como está hoje, as lideranças nas chapas abertas têm relações sociais e vínculos de classe diferentes. O financiamento público, neste caso, iria acentuar essas distinções. O cientista ressalta que estudos norte-americanos nesse sentido já comprovam o que a intuição e previsões apregoam: Aqueles candidatos com maior habilidade em articulações arrebanham mais recursos e na seqüência são mais bem sucedidos no processo eleitoral. Motta lembra que independente do caixa ou fonte da campanha, permanecem os mesmos interesses e a vontade de dominar as articulações e os resultados políticos. Para o analista, a discussão da legislação vigente rumo à flexibilização do lobismo é sinônimo de consciência republicana. Temos que avançar nessa questão, senão a cada dia teremos novos escândalos de corrupção publicados na imprensa. (JS)