Apesar dos depoimentos em seu favor, as conjecturas são de que pesariam contra Rabello no contraponto da celeuma judicial a dificuldade em se levantar provas contundentes para sustentar a tese de perseguição política e a própria data da filiação no PP, quase meio ano após a data limite estabelecida pela Justiça. Eleito em 2006 pelo PMDB, com o título de segundo deputado estadual mais votado, Rabello migrou para o PP em setembro do ano passado. A data é muito à frente do marco arbitrado de 27 de março de 2007 para a troca de partido, sem punições, conforme prega resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O MPE argumenta na peça que Rabello efetivou a desfiliação do PMDB, onde era pré-candidato à Prefeitura de Cuiabá, no dia 14 de setembro, sem apresentar justa causa ao partido. À época, a ficha de desfiliação entregue ao PMDB e ao TRE por Rabello continha estritamente o pedido de desligamento, de forma sucinta. Questionado sobre eventuais fragilidades nos argumentos de defesa, Rabello rechaça qualquer temor: Confio na Justiça e acho que ela será feita. A resolução prevê os casos de perseguição, discriminação e desvio de conduta do partido. E foi isso que aconteceu. Não tenho culpa de nada. Ele também procura afastar das declarações o viés de que seja vítima de ataques por parte do Ministério Público, tanto na celeuma envolvendo a infidelidade partidária como à exposição maciça na mídia. No início da semana, o político-apresentador foi notificado. Acredito no Ministério Público e o respeito. A instituição tem suas prerrogativas. Só quero simplesmente exercer meu trabalho, manifesta. (JS)