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Sábado, 03 de Agosto de 2013, 14h:37

CRISE

Falta mão firme a Silval, diz analista

Para João Edisom, governador tem deixado secretários muito à vontade. Situação estaria gerando instabilidade entre Executivo e Legislativo

PRISCILLA VILELA
Da Reportagem
A crise vivenciada entre o governo do Estado e a Assembleia Legislativa, recentemente escancarada pelas críticas do deputado Romoaldo Júnior (PMDB), presidente da mesa diretora, ao secretário-chefe da Casa Civil, Pedro Nadaf (PR), apenas evidenciam a falta de uma mão firme do governador Silval Barbosa (PMDB). A análise é do cientista político João Edisom. Para ele, a atual administração está dividida em “vários governos”, o que estaria prejudicando as relações entre os Poderes. A atuação dos secretários como pontos isolados ainda daria abertura, conforme o analista, para que os titulares ganhem musculatura para se articular à eleição de 2014. Ele acredita, inclusive, que Nadaf tem essa pretensão. Para o analista, a falta de respaldo do líder do governo na AL teria se dado, justamente, porque o secretário estaria mais preocupado em concorrer no pleito do próximo ano. “Ser secretário tem um grande ônus. As pessoas aceitam, normalmente, assumir esses cargos pensando em ter algum ganho”, avalia o cientista. Tal situação, no entanto, pode ter sido o fator preponderante para as rusgas entre Nadaf e Romoaldo e a consequente entrega do posto de líder do governo. João Edisom defende, no entanto, que a atitude do parlamentar foi correta, já que seria impossível atuar perante os demais deputados sem o respaldo do próprio governo. “O governo não pode dar tanta força para as secretarias. O que se houve pelos bastidores é que tem secretário que nem se dispõe a sentar com outros secretários para conversar. O governo tem que tomar as secretarias para si! Os interesses pessoais começam a fugir do controle”, avalia o cientista político. A opinião de João Edisom causa discórdia entre os próprios parlamentares. Emanuel Pinheiro (PR), por exemplo, que pertencente à base aliada, acredita que situações de embate são uma dinâmica natural. Ele também defende Nadaf, seu correligionário, e opina que o secretário está fazendo um ótimo trabalho à frente da Pasta e nas relações com os deputados. “Sempre há o que melhorar, mas as desavenças são naturais”, diz. Já o membro da oposição, Zeca Viana (PDT), concorda com João Edison e afirma que Silval, desde o primeiro dia de mandato, mostrou que não possui muito controle sobre a administração, deixando alguns secretários muito à vontade. “Silval corre o risco de não terminar o mandato, porque ele vai perder total controle da administração”, avalia o deputado pedetista. O fato é que a situação deixou a escolha para a sucessão de Romoaldo ainda mais complicada. Até mesmo o “eleito” Hermínio Jota Barreto (PR) já havia rejeitado assumir o posto. A definição pelo seu nome, ao menos, deve amenizar a situação com Nadaf, que é da mesma sigla.

Edição EDIÇÃO 16962




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