O contingenciamento e a resistência do governo estadual em não conceder reajustes salariais aos servidores devem-se ao fato de o Estado estar apenas 3% do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) no que tange às despesas com gasto de pessoal. Dados atualizados do Tesouro Nacional revelam que Mato Grosso teve um aumento significativo com a folha de pagamento nos últimos cinco anos. Levantamento feito pela Folha de S.Paulo mostra que, até 2006, o Estado gastava 39,26% da Receita Corrente Líquida (RCL) com pagamento, já em dezembro 2011 Mato Grosso comprometeu 43,57% da RCL. A Lei de Responsabilidade Fiscal coloca como limite prudencial até 46,55% e o teto é de 49%. Por isso, o governo já adiantou que tende a prorrogar o concurso público, pois não possui condições financeiras de convocar os 835 aprovados no certame. No entanto, os aprovados alegam que o Estado tem gasto com os contratos milionários de terceirização. O fato é que o governo já deve começar a pensar em realizar o enxugamento da máquina, já que, em 2011, Mato Grosso fechou em déficit. Um dos motivos para as contas fecharem no negativo deve-se aos gastos com pessoal, conforme o secretário de Estado de Fazenda, Edmilson dos Santos, apontou. Segundo ele, ocorreu um desequilíbrio nas despesas, uma vez que o governo gastou R$ 461 milhões a mais do que o previsto para 2011, boa parte deste recurso foi aplicado no pagamento da folha.