Em reunião com comunitários, governador critica Wilson
Blairo Maggi lançou na tarde de ontem um duro discurso contra o prefeito Wilson Santos (PSDB). As críticas contra o chefe do Executivo estadual atingem dois pontos polêmicos da Capital: as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a de infraestrutura do município que, segundo Blairo, deverão sofrer a interferência do Estado em decorrência da ausência da prefeitura. O discurso de oposição ao prefeito foi feito na presença de centenas de líderes comunitários. Em relação ao PAC, Maggi disse que Wilson tem até o dia 1º de maio para resolver as pendências que ainda constam no relatório da Controladoria Geral da União (CGU). Caso as pendências persistam, avisou, o Estado tomará as devidas providências para comandar a gestão das obras do PAC Pantanal. Contendo três dos sete lotes do programa, o PAC Pantanal domina recursos da ordem de R$ 124 milhões. Desse montante, R$ 18,6 milhões são oriundos da contrapartida do governo do Estado. Maggi e o prefeito se reúnem na próxima sexta-feira, às 11h, no Palácio Paiaguás. O principal assunto do encontro é o PAC. Maggi destacou que na reunião com o tucano irá repetir o que disse no discurso de ontem. Blairo demonstrou irritação em relação à continuidade das pendências do PAC. No entanto, fez questão de deixar claro que não acredita numa suposta ação intencional do prefeito em relação às falhas do programa. O discurso do governador foi embasado por novas críticas do secretário estadual de Infraestrutura, Vilceu Marchetti. O gestor emendou o discurso ao ressaltar que a Capital do Estado está na contramão da história. O que se vê na história é que existiam projetos e obras, mas não tinha dinheiro. Agora é o contrário. Tem dinheiro, mas não tem obras nem projetos, disparou Vilceu. Em ritmo de concordância com Marchetti, o governador afirmou que não admitirá novo período de demora da prefeitura para sanar as falhas. Maggi lembrou ainda que o comando do PAC Pantanal poderia ter ficado aos cuidados da administração estadual. Repassamos a gestão do PAC Pantanal para a prefeitura porque já tinham os outros lotes e entendemos ser melhor a prefeitura executar. Mas do jeito que está o Estado poderá pegar a gestão porque as obras tem que ser realizadas, frisou. INFRAESTRUTURA - O chefe do Executivo estadual afirmou ainda que aguardará até o fim do período de chuvas para conferir se a prefeitura de Cuiabá irá ou não realizar obras de pavimentação asfáltica no município. Caso as ações no setor não se concretizem, o Estado ingressará com patrulhas de máquinas para tapar buracos e fazer chegar asfalto nos bairros mais carentes da Capital. O governador afirmou ainda que o Estado não teme possível descontentamento da prefeitura em relação às obras de infraestrutura e que o problema poderá se necessário ser resolvido na Justiça.