Em depoimento, desembargador afastado nega as acusações
Um dia após ser afastado de suas funções no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE), o desembargador Evandro Stábile prestou depoimento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O magistrado respondeu aos questionamentos da desembargadora Sandra de Sanctis Mendes de Farias Mello, do subprocurador-geral da República José Guilherme de Aragão e do delegado federal Carlos Eduardo Fistarol, que presidiu o inquérito em Mato Grosso. O magistrado inicia o depoimento afirmando que tem sofrido retaliações desde que assumiu a presidência do TRE, quando promoveu mudanças funcionais. Ele afirmou que nunca ouviu falar de tráfico de influência no Tribunal. Um dos casos questionados diz respeito ao município de Alto Paraguai. Na denúncia investigada, Alcenor Alves, o ex-prefeito da cidade, estaria tentando negociar a permanência de sua esposa, Diane Alves, à frente da prefeitura. Diane ficou na segunda colocação da eleição. Conforme revelou com exclusividade este Diário, a Polícia Federal registrou em fotos um encontro de Evandro Stábile com pessoas ligadas à prefeita. Eu não fui encontrar a Diane na casa da Luzia. Eu fui à casa da Luzia e depois que eu estava lá dentro a Diane apareceu na sala em que eu estava com a Luzia. Não sei se chegou antes dou depois, disse Stábile, explicando sobre o registro fotográfico. Ele admitiu que recebeu a prefeita em seu gabinete mais de uma vez, sendo que numa das visitas ela comunicou que havia ingressado com um recurso contra a decisão que a tirou do cargo. Apesar de ter se encontrado com Diane Alves, Stábile disse desconhecer o processo do município de Alto Paraguai. Por decisão da Justiça Eleitoral ela já assumiu a prefeitura, porém numa nova determinação judicial Diana deixou o cargo. Apesar de afastado da presidência do Tribunal Regional Eleitoral, Evandro Stábile continua recebendo o salário de desembargador do Tribunal de Justiça. Os demais magistrados de carreira também afastados do cargo recebem os vencimentos. (JC)