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Quinta-feira, 17 de Abril de 2008, 22h:45

REFORÇO

Em Cuiabá, Arthur adota estilo light

Líder da oposição ao governo Lula, Arthur Virgílio afirma que presidente é vaidoso e que não se incomoda com elogio de tucano a petista

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) descarta qualquer incômodo da cúpula nacional tucana ante os elogios tecidos pelo prefeito Wilson Santos (PSDB) ao presidente Lula (PT), o grande ‘algoz’ do PSDB no quadro político nacional. Num toque irônico em meio à metralhadora de críticas, ele avisa que se os ‘paparicos’ a Lula resultarem em mais obras a Cuiabá e na reeleição de Wilson, até mesmo ele passará a elogiar o presidente. “Não incomoda de forma alguma. Lula é vaidoso. Ele adora elogios tanto quanto odeia críticas. Tomara que esses elogios tragam bastante dinheiro para Cuiabá e que se façam muitas obras que credenciem o prefeito à reeleição. Se for para isso, até eu elogio”, brinca o senador, durante entrevista em visita a Cuiabá. A expectativa é que o presidente visite as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá em junho. A avaliação se difere de críticas ferrenhas lançadas por alas tucanas em Mato Grosso contra a postura de Wilson diante de Lula. A abordagem descontraída sobre o assunto, no entanto, é a única em meio a disparos sucessivos a Lula no discurso de Virgílio. O senador é tido como o mais ferrenho opositor ao governo Lula no Congresso Nacional. Recentemente, a atuação do senador amazonense foi decisiva no veto à prorrogação da cobrança da CPMF no país. Entre diversos adjetivos apregoados a Luiz Inácio Lula da Silva, Virgílio sintetiza a figura do presidente como alguém “autoritário e fraco”. “Ele consegue até mesmo essa proeza. Porque geralmente quem é autoritário, é alguém forte”. Ele admite que além do conhecido posicionamento ideológico contra o governo Lula, as críticas já imprime a incursão na corrida sucessória em 2010. Antes disso, em 2008, Arthur Virgílio se mostra entusiasmado na espera pelo resultado do PSDB nas urnas de Mato Grosso e em todo o país. Questionado sobre sucessivas derrotas do partido no cenário nacional e a pouca representatividade da legenda hoje no Estado, ele descarta sobressaltos no discurso. Ele sustenta o viés de que derrotas também podem ser “didáticas”. “Perdemos duas eleições seguidas (ao governo federal e em Mato Grosso). Isso são refluxos da democracia. Temos que conviver com a alternância de poder. Uma boa surra eletrônica não faz mal a ninguém”. Ele lembrou que em Cuiabá o partido registra uma verdadeira série de êxitos nas urnas. O partido elegeu nas últimas eleições os prefeitos Roberto França nos dois mandatos que disputou e, em 2004, Wilson Santos. Mesmo nas derrotas, conforme defende o senador, é preciso firmar posição. Ele não poupa críticas. “Não me queixo de nada. Quando se ganha, é governo. Quando perde, é fiscalizador. Não gosto quando os que perdem vão correndo se abrigar numa Eletrobrás, numa Petrobrás da vida. Isso é prostituir a política”.

Edição EDIÇÃO 16967




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