Primeira Página
Quinta-feira, 15 de Maio de 2008, 22h:00
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Em Alta Floresta, população relata os danos da operação
EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Comércio fechado. Faixas de protesto por todos os lados. Auditório superlotado com moradores da região vestindo roupas pretas e gritando palavras de ordem contra a Operação Arco de Fogo. Assim era o clima encontrado pelos senadores da comissão para a audiência pública realizada horas antes em Alta Floresta. Políticos e representantes de entidades narram aos senadores Jayme Campos, Gilberto Goellner (DEM), Flexa Ribeiro (PSDB/PA), Expedito Júnior (PMDB/RO) e Leomar Quintanilha (PMDB/TO), a situação em que a região se encontra desde que no começo do ano a ex-ministra de Meio Ambiente, Marina Silva, divulgou a chamada lista suja elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (Inpe), contendo 36 municípios do Bioma Amazônico que mais teriam desmatado no período de outubro a dezembro de 2007. Desse rol fazem parte 19 municípios de Mato Grosso, onde se desenrola a Operação Arco de Fogo, com agentes da Polícia Federal, policiais da Força Nacional e fiscais do Ibama. Homens da Arco de Fogo estão em Alta Floresta (820 km ao norte de Cuiabá), município listado pelo Inpe com 33 novas áreas desmatadas. A cidade enfrenta aquilo que a prefeita local, Maria Isaura (PDT), chama de intervenção branca. A presença dos policiais fortemente armados e com roupas de camuflagem choca a população. A princípio eles vieram para fiscalizar as propriedades suspeitas de desmates além das áreas permitidas. Continuaram aqui para fiscalizar os pátios das serrarias com o objetivo de apurar possíveis diferenças na conversão de toras para madeira. A qualquer momento podem parar uma senhora na rua para saber de qual madeira o tamanco dela foi feito, resumiu o presidente do Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte, Lindomar Dela Justina. Os senadores ouviram vários relatos de representantes da sociedade e da economia locais. Porém, o que mais despertou a atenção foi o pronunciamento do promotor de Justiça de Alta Floresta, Henrique Schneider. Para Schneider, ao contrário de outras operações, a Arco de Fogo se mostra onipresente, com excesso de contingente, e resulta num equívoco, na medida em que bota policiais contra a população e não busca apoio nem comunica as autoridades locais. O deputado estadual Ademir Brunetto (PT) pediu aos senadores que interfiram junto ao Ministério da Justiça para a suspensão da Arco de Fogo e a saída dos policiais da cidade. Brunetto lembrou dos dois soldados da Força Nacional espancaram dois jovens um deles menor num baile no final da semana passada. Jayme Campos reconheceu a gravidade do momento. Lembrou que imediatamente após pedir a criação da comissão que ora preside, o Ibama o multou. Mas, ninguém intimida o senador nem o cidadão Jayme Veríssimo de Campos, gritou sob demorado aplauso. O senador Flexa Ribeiro adiantou que apresentará requerimento para que o primeiro compromisso do ministro indicado do Meio Ambiente, Carlos Minc, seja a prestação de esclarecimentos à Comissão de Meio Ambiente do Senado. Ele admite que não conhece o Brasil. Se não conhece não pode ser ministro, observa. Ribeiro revelou que mobilizará lideranças no Congresso para botar em votação a MP-2166, que derrubou o Código Florestal.