Primeira Página
Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010, 11h:52
A
A
ELEIÇÕES 2008
Dilma tenta descaracterizar pré-campanha
Ministra visita Cuiabá e Várzea Grande, onde abordou PAC, assinou convênios e participou da inauguração de um conjunto habitacional
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Apesar de declarar estar numa visita técnica em Cuiabá, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à sucessão de Lula, ressaltou o novo investimento do governo federal: a segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento, conhecido como PAC 2. Na esteira do sucesso do programa lançado em 2007, o PT aposta no PAC 2 para alavancar a imagem da ministra, que leva o epíteto de mãe do PAC. Em Cuiabá e Várzea Grande, porém, as obras do PAC estão paralisadas há mais de seis meses, desde a operação Pacenas, por conta de supostas fraudes nos processos de licitações, sendo a Capital, inclusive, uma das cidades com os piores rendimentos de obras. Em entrevista coletiva concedida no Palácio Paiaguás, a ministra garantiu que a Capital não sofrerá sanções no PAC 2 por estar com o cronograma de obras atrasado. Para Dilma, o gestor é quem deve ser responsabilizado por eventuais irregularidades. Não podemos excluir uma cidade de receber benefícios, quem perderia seria a população. O que podemos fazer é ter mais rigor com as prestações de contas e investigar o gestor: se agiu errado, terá punição. Não liberar recursos seria inconstitucional e injusto com a população, disse a ministra. Os problemas do PAC em Cuiabá já estão sendo usados como arma política contra o prefeito Wilson Santos (PSDB), pré-candidato ao governo de Mato Grosso, sendo oposição do governo Maggi, que tem o PT na base aliada. Embora a Capital e a cidade vizinha apresentem péssimo desempenho na execução das obras, a dificuldade não se restringe às duas cidades mato-grossenses. Diversos municípios do Brasil apresentaram algum entrave na execução dos trabalhos do PAC. Dilma pontuou os principais motivos para os entraves: projeto malfeito ou sobrepreço e defendeu a agilidade e transparência nos processos de repasse de recurso e execução das obras. A prefeitura tem que ser mais ágil e tomar as medidas necessárias para que as obras sejam concluídas, disse a ministra. Apesar de falar de forma genérica, o recado valeu para Cuiabá e Várzea Grande. Entretanto, ela ressaltou que o esforço para que os trabalhos andem e sejam concluídos deve ser reconhecido. Dos 600 bilhões destinados ao programa, aplicamos 400 bilhões. Ela ainda citou exemplos de obras que geravam incredulidade sobre a conclusão, mas que hoje servem de exemplo, como as usinas hidrelétricas no rio Madeira. Temos que ter clareza do esforço. Muita gente não acreditava nesses projetos, mas eles estão aí. O problema é que antes não existiam projetos nesse porte, como o do PAC. O governo teve que planejar, colocar tudo no papel e só então executar, disse a ministra, numa crítica ao governo tucano, anterior aos petistas.