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Quarta-feira, 25 de Agosto de 2010, 20h:34

CÂMARA DE CUIABÁ

Deucimar denuncia e suspende eleição

Clima tenso marcou a sessão extraordinária para eleger nova mesa diretora. Oposição diz que houve desespero de quem perderia a eleição

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Deucimar Silva (PP), suspendeu a eleição da nova mesa diretora, que deveria ter acontecido ontem, alegando compra de votos. Duas chapas se inscreveram para a disputa: uma liderada por Adevair Cabral (PDT), apoiada por Deucimar, e outra por Júlio Pinheiro (PTB), que se lançou para presidir o Legislativo de última hora. A sessão foi marcada por um clima tenso, com acusações de ambos os lados, embora nenhum tenha apresentado provas concretas, e empurra-empurra nas galerias entre a “torcida” dos dois candidatos. Deucimar disse que recebeu documento que comprova a compra de votos a favor de Pinheiro. Adevair denunciou que os filhos do vereador Juca do Guaraná apresentaram três cheques que somam 120 mil para que ele votasse em Pinheiro. Além disso, o pedetista acusou também o vereador Levi de Andrade, o Leve Levi (PP), que é o titular da vaga que Juca ocupa, de ter recebido dinheiro para votar em Pinheiro. O presidente da Casa disse, em sessão, que vai encaminhar as supostas irregularidades à Justiça Eleitoral e remarcou a para a próxima quarta-feira a sessão para a escolha do novo presidente da Câmara. Inconformado com a fala de Deucimar, Júlio Pinheiro subiu à tribuna e também apresentou um CD, no qual, segundo ele, havia prova de irregularidades do outro grupo. O vereador Everton Pop (PP), que seria o primeiro-vice presidente de Cabral, confirma que viu os filhos de Juca na sala de Deucimar com os cheques na mão, porém afirma que não viu valores. Não querendo se meter em confusão, Juca do Guaraná, que é suplente, disse que não “sabia nada”. Para o vereadores Clovito Hugueney (PTB) e Paulo Borges (PSDB), a medida de Deucimar em suspender a sessão e fazer acusações não passam “de desespero, pois ele viu que iria perder a eleição”. Cabral articulava sua eleição há meses, já cantando vitória, dizendo que tinha a maioria do voto dos 19 vereadores. PSDB e PTB, partidos do ex-prefeito Wilson Santos e do atual, Chico Galindo, se mobilizaram para lançar uma candidatura. “Deucimar fez tudo isso porque viu que ia perder a eleição nos 45 do segundo tempo”, disse Clovito. A eleição só deveria acontecer em dezembro, porém o grupo de Deucimar e Adevair, com votos já arregimentados, propôs uma lei que adiantou a eleição para a data de ontem. Além da acusação de compra de voto, Deucimar ainda acusou o ex-prefeito Wilson Santos de fazer pressão por voto dentro da própria Câmara ontem. O presidente cobra apoio porque nesses dois anos de mandato “sempre colaborou com a prefeitura”. O vereador Antônio Fernandes defendeu Wilson explicando que ontem ele esteve na Casa para receber uma moção de aplausos. Depois de toda a confusão alguns vereadores se reservaram na sala da presidência. Júlio Pinheiro saiu dessa reunião às pressas dizendo que agora os dois grupos trabalham para buscar um consenso. Sobre as acusações: “Não são nada. Na hora do plenário vale tudo”.

Edição EDIÇÃO 16962




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