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Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010, 20h:19
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AGECOPA
Desavenças eram recorrentes, diz Yênes
Novo presidente interino Yênes Magalhães relatou que o ex-presidente não queria dividir decisões com os demais diretores da Agência. Havia também divergências sobre obras
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O presidente interino da Agecopa, Yênes Magalhães, revelou ontem que o ex-presidente Adilton Sachetti queria transformar a Agência da Copa em uma secretaria extraordinária por não concordar em dividir as decisões. Devido a problemas de relacionamento, Sachetti entregou a presidência da instituição nesta quarta-feira. Formado por seis diretores e um presidente, a Agecopa, que cuida dos projetos relacionados à Copa do Mundo de 2014 em Cuiabá, é um órgão colegiado em que todos os diretores têm poder de decisão. Porém, como revela Yenês, os conflitos já começaram desde a instalação da Agência, há 11 meses. Ele não queria dividir responsabilidade. Todos tinham poder de decisão, mas tudo dependia da autorização dele, já que era o presidente e ordenador de despesa, disse o novo presidente, eleito por consenso ontem pelo colegiado. Já Sachetti afirmou ontem, em uma entrevista à TV Centro América, afiliada da Rede Globo, que as decisões passavam por interesses políticos e até individuais. Ele também critica a estrutura da Agência, onde todo mundo decide, mas ele ordena a despesa; se acontecesse algo errado, a culpa seria dele. As brigas e discussões eram recorrentes. Chegou uma época em que Sachetti era apenas um voto contra os outros seis. Ficou sozinho e isolado. As discussões mais fortes, porém, foram com Yuri Jorge Bastos, diretor de Assuntos Estratégicos. Segundo Yênes, Sachetti engavetou um projeto de lei que dava direito a mais dois diretores também de serem ordenadores de despesa. A gente podia decidir uma coisa em reunião, mas dependíamos da autorização dele como presidente. Já esperamos meses para dar encaminhamento em algumas questões, relatou Yênes. O presidente interino conta que não podia expor essas divergências para não prejudicar a imagem da Agecopa. Outro ponto de desavença era com relação à abrangência das obras da Copa. Conforme o diretor, Sachetti estava mais focado nas obras especificas para a realização da Copa, como ginásio e segurança, enquanto os outros membros estavam trabalhando para alavancar Cuiabá e região. Como exemplo, Yênes fala do BRT um corredor exclusivo para ônibus - na Avenida Fernando Correa da Costa. Pela Fifa, esse projeto não era necessário, pois não liga diretamente ao estádio. São investimentos que seriam feitos na capital, mas num período de 20 a 30 anos. Com a Copa, temos a oportunidade única de conseguir esses recursos em apenas quatro anos, acelerando o crescimento na Baixada Cuiabana. O diretor de Planejamento vai acumular o cargo de presidente até o governador fazer nova nomeação para o cargo. Ele já adianta, porém, o perfil que gostaria do novo presidente. Tem que ser uma pessoa que entenda que aqui ninguém decide nada sozinho. Não é a decisão de uma pessoa só, pois a Agecopa é um órgão colegiado, disse o diretor. Recentemente, um vídeo de Yuri recebendo dinheiro vazou na internet. Ele afirma que se tratava de dinheiro para a campanha dele a deputado estadual de 2006.