Deputados discutem problemas enfrentados na Saúde de MT
THAÍS RAELI
Da Reportagem
A dificuldade na prestação de contas dos hospitais conveniados com o Sistema Único de Saúde (SUS) tem causado obstáculos no repasse do Estado referente à contratação de leitos das Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Por esse motivo, os deputados Wallace Guimarães (DEM), Alexandre Cesar e Ademir Brunetto, ambos do PT, estão solicitando do Executivo uma forma mais viável de especificar os gastos ou um repasse fundo a fundo, através dos municípios. Outro problema estimado pelos parlamentares é que o Estado tem um déficit de R$ 82 milhões para atender a demanda do setor. Brunetto estima que em agosto muitos hospitais fiquem sem receber o valor do governo. Os dois parlamentares estiveram reunidos ontem pela manhã na Assembléia Legislativa com o secretário de Estado de Saúde, Augustinho Moro, com o deputado licenciado Guilherme Maluf (PSDB), titular da Pasta homônima em Cuiabá, e com representantes dos hospitais. O petista explicou que o problema é uma questão jurídica, pois há uma instrução normativa que exige dos hospitais conveniados uma prestação de contas complexa: Eles querem saber de forma discriminada o quanto se gasta de luz numa UTI ou quanto se gasta de medicamentos, por exemplo. Não tem como um hospital que atende várias especialidades fazer separadamente esse detalhamento de uma unidade. É um mecanismo que vai colocar em colapso as UTIs porque não terá como repassar recursos do Estado para o hospital. Segundo Augustinho Moro, uma alternativa seria viabilizar para os cinco hospitais conveniados de Cuiabá o valor através da prefeitura, ou seja, e dessa forma não seria necessária a prestação de contas de forma tão minuciosa, já que o município é um gestor pleno. Outras três cidades também teriam essa opção: Sinop, Rondonópolis e Cáceres. Sobre o déficit de R$ 82 milhões apontado pelos deputados, Moro reconhece como legítima tal carência e tem buscado alternativas com o governador Blairo Maggi (PR). O secretário acredita que com o aumento da receita no segundo semestre haja um repasse maior para a Saúde. Ele e os parlamentares se reunirão com Maggi nos próximos dias para tratar do tema. Coincidência ou não, o governador Blairo Maggi embarcou ontem no final da manhã para Brasília, onde terá uma audiência ainda hoje com o ministro José Gomes Temporão, da Saúde. Blairo disse desconhecer que haverá uma interrupção dos repasses do Estado para os hospitais conveniados.