NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

Primeira Página
Sexta-feira, 29 de Junho de 2007, 19h:25

CAMPANHA PASSADA

Depoimentos no TRE apontam contradições

Investigação sobre suposta compra de voto mostrou que depoimento de duas testemunhas destoaram das informações da parlamentar

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O vereador Marcus Fabrício (PP) confirmou em audiência no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) que Lucélia Pereira Neves fez campanha para a deputada estadual Chica Nunes (PSDB) nas eleições do ano passado. A declaração do sobrinho contradiz e compromete a versão de Chica de que não contratou nenhum cabo eleitoral para atuar no bairro Pedra 90, onde Lucélia é presidente da associação de moradores de um residencial. O vínculo também é confirmado por outra testemunha, moradora do residencial, que declara que a Lucélia trabalhava para Chica. Os depoimentos integram fase de instrução de processo nº 796/2006 que pede a cassação de Chica e do deputado federal Pedro Henry (PP). Eles são acusados de compra de votos, gastos ilícitos e propaganda irregular. Além dos três parlamentares, foram ouvidas na quinta-feira (28) outras quatro pessoas. Os depoimentos foram conduzidos pelo juiz eleitoral Alexandre Elias Filho. Conforme a denúncia protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF), a cooptação dos votos aos dois candidatos era feita pela presidente do residencial Sonho Meu, Lucélia Pereira Neves, a pedido de Marcus Fabrício. Funcionária do posto de saúde do bairro, Lucélia teria usado a máquina administrativa para a distribuição de medicamentos e cobertores a usuários da saúde pública sob a contrapartida do voto. Ela ainda teria empreendido o pagamento de R$ 20 a cada pessoa do residencial que afixasse material de propaganda eleitoral na fachada das casas. A negativa às denúncias dominou os depoimentos de Chica e Henry. Conforme as cópias disponibilizadas pelo TRE, a deputada eleita assegura que não autorizou, a “quem quer que seja”, a divulgar seu nome na região do Pedra 90. Nesse sentido, segundo Chica, ela não contratou nenhum cabo eleitoral para atuar no local. Ela admite que conhece Lucélia e que sabia que ela é contratada pela prefeitura de Cuiabá, mas nega que a vaga decorra de sua indicação pessoal. Chica ainda argumenta que nunca visitou o posto de saúde. Já o deputado federal Pedro Henry, ao negar as denúncias, atesta no depoimento perante o TRE que “está no seu quarto mandato e nunca se utilizou de expedientes dessa natureza para se eleger” e que “não autorizou ninguém a utilizar o seu nome com essa prática mencionada na representação”. Assim como Chica, ele afirma que não tinha nenhum cabo eleitoral no residencial Sonho Meu. Ele ainda relata que não teve qualquer informação sobre a distribuição de cobertores no posto de saúde. Audiência – O juiz Alexandre Elias Filho convocou nova audiência envolvendo o processo, marcada para o próximo dia 9, às 13h30. O objetivo é ouvir mais uma testemunha arrolada pelo MPF, moradora do residencial, e que faltou ao depoimento marcado para a quinta-feira.

Edição EDIÇÃO 16962




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL