Primeira Página
Quarta-feira, 04 de Novembro de 2009, 00h:19
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INVESTIGAÇÕES
Delegados rechaçam acusações em oitivas
Durante um encontro, que durou cerca de duas horas, vereadores ouviram negativa sobre uso de coação durante inquérito contra Lutero
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Delegados fazendários rechaçaram ontem, em reunião com membros de comissão processante instaurada na Câmara de Cuiabá, acusações de coação e irregularidades na condução do inquérito policial que resultou no indiciamento do vereador Lutero Ponce (PMDB). O parlamentar será notificado hoje a apresentar, no prazo de cinco dias, as alegações finais no processo. Encerrando a fase de instrução do processo, vereadores que compõem a comissão foram até a Delegacia Fazendária com o objetivo de esclarecer acusações e suspeitas levantadas durante parte dos depoimentos colhidos na Câmara. Num deles, um empresário sustentou que a Delegacia foi tendenciosa no relato do teor das respostas dadas em interrogatório. Outro depoente afirmou que sentiu coagido. Adotando a máxima de que a melhor defesa é o ataque, Lutero acusou delegados de ameaçarem empresários. De acordo com o relator da comissão na Câmara, vereador Lúdio Cabral (PT), os delegados rechaçaram as acusações e reafirmaram todo o conteúdo do inquérito, em que Lutero é acusado de comandar um esquema de desvios que teria culminado num rombo de R$ 7,5 milhões nos cofres do Legislativo. O encontro com os delegados Lusia Machado, Rogério Modelli e Wylton Massao Ohara durou quase duas horas. Na prática, segundo Lúdio, o inquérito policial permanece no caso como uma fonte de provas contra Lutero, mas que ainda passará por uma análise final feita pela comissão. Conforme o Diário publicou, diante de depoimentos marcados por contradições, a comissão processante deve recorrer a essas provas reunidas no inquérito para fundamentar relatório final sobre o caso. A situação se enquadra no mecanismo da prova emprestada, instrumento previsto nas normas jurídicas. Pontuamos pontos conflitantes com os delegados, que reafirmaram tudo o que está no inquérito, que não deixou de ser um meio de prova. Porém, não cabe a nós, da comissão, fazermos juízo sobre o trabalho da delegacia. O que nos cabe é confrontar as provas do inquérito, da defesa e o teor dos depoimentos e formular o juízo, coletivamente, sobre as denúncias, argumenta o relator, que expressa ainda não saber qual é a conclusão final sobre o caso ou seja, se Lutero é ou não culpado. O vereador também pondera que é preciso aguardar a entrega das alegações finais por parte da defesa de Lutero. Ontem, o parlamentar foi notificado do fim da fase de instrução do processo. Concluída a análise, cabe à comissão processante, dentro dos próximos dias, enviar à presidência da Câmara o relatório final em que dirá se julga procedentes ou não as denúncias contra Lutero. A partir daí, caberá ao presidente da Casa, o vereador Deucimar Silva (PP), levar o caso para votação em plenário. O prazo determinado para o desfecho de todo esse rito, incluindo a votação, se encerra no dia 17 de novembro.